Resumo da entressafra dos Knicks e prévia da temporada: será que Nova York consegue o bicampeonato?
Depois de quebrar 53 anos de jejum e conquistar o título da NBA, o Knicks preservou sua base e mira o bicampeonato. Mitchell Robinson saiu para o Celtics e Andre Drummond assume a reserva de pivô, enquanto Clarkson, Alvarado e Shamet aceitaram contratos abaixo do mercado. Com o 3º lugar no Power Index, ataque elite e rotação quase intacta, o time é favorito, mas enfrenta riscos: saúde de Towns, possível regressão na defesa de três, a 'ressaca de título' e a pendência contratual de Towns.

Por Redação Prancheta Viva
O pano de fundo
A última temporada marcou um divisor de águas em Nova York. Depois de 53 anos de espera — o título anterior datava de 1973 — o Knicks quebrou o jejum e levou a taça da NBA de volta à cidade. O time fez uma campanha dominante até a decisão, apoiado num sistema ofensivo que rendeu frutos imediatos sob o técnico de primeiro ano Mike Brown.
Agora, com a intertemporada encerrada, a pergunta que domina a maior mercado da liga é outra: esse grupo consegue se manter junto — e repetir o título?
O que rolou na intertemporada
A base foi preservada: os cinco titulares do time campeão permanecem. A dor de cabeça estava no banco. O dono da franquia, James Dolan, deixou claro logo após as finais que o clube não entraria no chamado second apron — o segundo limite de folha salarial da NBA, que pune equipes que gastam acima dele.
O resultado prático:
- Saída: Mitchell Robinson, que deixou o Knicks após oito temporadas para assinar com o rival Boston Celtics, com um contrato superior a US$ 15 milhões por temporada.
- Reforço: Andre Drummond, contratado para assumir a reserva de pivô atrás de Karl-Anthony Towns.
- Retenções: Jordan Clarkson, Jose Alvarado, Landry Shamet e Mohamed Diawara seguem no elenco — e Clarkson, Alvarado e Shamet aceitaram contratos abaixo do valor de mercado para seguir na busca do bicampeonato.
Na avaliação do especialista Zach Kram, a intertemporada do Knicks merece nota B-. O elenco campeão segue praticamente intacto e as renovações de Shamet e Alvarado estão entre os contratos de melhor custo-benefício do verão. O ponto fraco: com as restrições do second apron, a reserva de pivô caiu de nível, de Robinson para Drummond — com Ariel Hukporti como terceira opção. Na visão de Kram, essa queda de qualidade pode custar um ou dois jogos de playoffs na próxima primavera.
Os números que sustentam o favoritismo
O Knicks entra na temporada 2026-27 como 3º no Basketball Power Index. Os indicadores da campanha título ajudam a explicar:
- Ataque: 3º melhor Offensive Rating da temporada regular, com 119,8 pontos por 100 posses, saltando para o 1º lugar nos playoffs, com 120,4 PP100 contra adversários mais fortes.
- Defesa de três: os Knicks permitiram apenas 31% nos arremessos de fora nos playoffs, a menor marca da liga. O analista Dean Oliver faz uma ressalva: pela qualidade dos arremessos concedidos, o esperado estatisticamente seria em torno de 36%, o que sugere que parte da eficiência defensiva pode regredir.
- Durabilidade: os cinco titulares disputaram ao menos 66 jogos na temporada regular e juntos apareceram em 98% das vagas de titular nos playoffs.
Nove dos dez principais nomes da rotação de playoffs estão de volta, e nenhum jogador-chave aponta para declínio por idade. Ainda assim, uma fonte do próprio time adotou tom cauteloso, citando o risco da "ressaca de título" e a possibilidade de queda no percentual de bolas de três, após o time liderar a liga nessa estatística no postseason de 2026.
A grande questão: dá pra repetir?
Nos últimos 25 anos, apenas times liderados por superestrelas de um nome só conquistaram bicampeonatos consecutivos — Steph e KD, LeBron, Kobe. A tendência de paridade na liga é forte, mas o Knicks talvez tenha descoberto algo transferível: rotação de bola generosa nos três primeiros quartos e frieza absoluta nos momentos decisivos do último.
O X-factor, segundo Kram, é a saúde. Towns jogou 75 partidas na última temporada regular — seu maior número desde 2018-19. Se ele ficar mais tempo fora, especialmente sem Robinson atrás dele, o Knicks fica mais vulnerável do que parece no papel.
Há ainda a pendência contratual de Towns de cara para o training camp: ele tem direito a uma extensão de quatro anos e US$ 272 milhões, com uma player option de US$ 61 milhões para 2027-28. Considerando que os limites salariais dificultam manter grupos juntos por mais de dois anos, Vincent Goodwill levanta a hipótese de que o próprio Knicks use essa incerteza como bandeira de motivação — ainda mais com times como o Philadelphia 76ers se reforçando para uma campanha profunda.
Para quem acompanha fantasy, Andre Snellings aponta que, se Towns ampliar o papel de distribuidor que assumiu no postseason sob Mike Brown, ele pode atingir números de assistência inéditos na carreira e entrar no grupo dos top-15 do fantasy.
Onde estamos
O Knicks chega à 2026-27 com elenco campeão quase intacto, um sistema ofensivo validado e o status de terceira força da liga segundo o BPI — mas também com o banco de pivô mais fraco, uma estrela aguardando definição contratual e o fantasma da ressaca de título. A temporada que começará em breve dirá se Nova York vira o primeiro bicampeão da NBA em oito temporadas.
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Fonte: ESPN NBA News
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