O número que pode definir a temporada 2026-27 de cada time da NBA
Antes de cada temporada, um número escolhido dentre diversas métricas ajuda a revelar o essencial sobre cada um dos 30 times da NBA. O método já previu a explosão de Jalen Johnson e as dificuldades dos Bucks. Entre os destaques: a defesa dos Hawks com Luguentz Dort, o histórico de Joe Mazzulla em Boston, a dependência de LaMelo Ball em Charlotte, o jovem duelo dos Bulls e o potencial de Cooper Flagg nos Mavericks.

Redação Prancheta Viva
O hábito que virou tradição
Antes de cada temporada, vale repetir um exercício simples: escolher um número — vindo de diferentes métricas e categorias estatísticas — que revele algo essencial sobre cada um dos 30 times da NBA. O método já funcionou antes: no ano passado, antecipou a explosão de Jalen Johnson em Atlanta, as dificuldades do Milwaukee Bucks na última temporada de Giannis Antetokounmpo e o pior índice de perdas de posse da liga, do Portland Trail Blazers.
Abaixo, os números que ajudam a entender o que esperar dos próximos dez meses.
O que os dados mostram, time a time
Atlanta Hawks: 108.6 — Após o All-Star Game, os Hawks cederam apenas 108.6 pontos por 100 posses, segundo melhor marking da NBA, atrás só do Oklahoma City Thunder. No ano todo, a defesa terminou em 10º — e isso antes da chegada de Luguentz Dort, um dos mais intensos defensores de perímetro da liga. A dúvida é se Dort e Dyson Daniels aguentam o tranco no ataque jogando juntos, mas o duo com Nickeil Alexander-Walker pode formar uma das unidades defensivas mais duras da NBA.
Boston Celtics: 4 — Nas quatro temporadas de Joe Mazzulla no comando, os Celtics fecharam no top-5 em rating ofensivo e defensivo, segundo o Cleaning the Glass. Só três equipes fizeram o mesmo no período: o Thunder de 2023-24, o Thunder de 2024-25 e o San Antonio Spurs de 2025-26. Boston ganhou um título no intervalo, mas caiu antes do esperado nos outros três anos. Mesmo sem Jaylen Brown, depois de um offseason atribulado, o time deve voltar a parecer candidato — ao menos na temporada regular.
Brooklyn Nets: 72% — Egor Demin foi o melhor novato dos Nets na temporada passada: 10.3 pontos por jogo, bom aproveitamento no giro assist-perda e 38.5% nos triplos. O detalhe: 72% de suas finalizações foram de três pontos — a 16ª maior taxa entre 279 jogadores com ao menos 1.000 minutos, vizinhança de especialistas como Klay Thompson, Gary Trent Jr. e Landry Shamet. Com Mikel Brown Jr. no draft e Julius Randle via troca ao lado, os Nets querem ver Demin ampliar o repertório.
Charlotte Hornets: 11.6 — Com LaMelo Ball em quadra, os Hornets marcam 125.0 pontos por 100 posses (percentil 97 da liga). Sem ele, o número despencava para 113.4 (percentil 36). A diferença de 11.6 pontos foi a segunda maior entre jogadores de rotação, atrás apenas de Nikola Jokic (15.2) e à frente de Shai Gilgeous-Alexander (11.0) — os dois primeiros do MVP. Depois da troca surpresa de LaMelo no verão, Coby White, Kon Knueppel e Brandon Miller precisam assumir o comando.
Chicago Bulls: 42 — A soma das idades de Matas Buzelis (que fará 22 anos no mês que vem, antes da estreia) e Caleb Wilson (20). O futuro da franquia depende exatamente do desenvolvimento dessa dupla de garrafão.
Cleveland Cavaliers: 14.2 — A defesa caiu para o 15º lugar após quatro temporadas seguidas no top-10, e a linha de três explica: os adversários converteram 14.2 triplos por jogo, quinta pior marca da liga. Em 2025-26, os Cavs acertaram só 10 triplos a mais que seus rivais; em 2024-25, haviam sido 199 a mais. Parte é azar (o percentual adversário também foi o quinto mais alto), parte é dieta de arremessos: o time caiu para 22º na taxa de tentativas de três cedidas. Peyton Watson, contratado como principal marcador de perímetro, deve ajudar.
Dallas Mavericks: 3 — Cooper Flagg completa 20 anos em dezembro. Apenas três jogadores fizeram um time All-NBA nessa idade: Kobe Bryant, LeBron James e o ex-Maverick Luka Doncic. Depois de fechar a temporada em chama alta e levar o prêmio de Novato do Ano, Flagg tem chance de entrar nesse grupo — e, se não entrar, não é vergonha nenhuma: Jayson Tatum, Anthony Davis, Kevin Durant, Dwight Howard, Carmelo Anthony e Tracy McGrady estreiaram em All-NBA mais tarde, já neste século.
Denver Nuggets: 4 — Pelo estimated plus-minus, só quatro Nuggets estão acima da média: Nikola Jokic, Jamal Murray, Aaron Gordon e Cameron Johnson. Jokic é o segundo jogador mais valioso da liga pela métrica, atrás só de Victor Wembanyama. O problema é o banco: Peyton Watson foi para Cleveland, e Jonas Valanciunas e Tim Hardaway Jr. também deixaram Denver. Entre os times do Oeste, só Kings, Clippers e Jazz têm menos jogadores acima da média.
Detroit Pistons: 6 — Ausar Thompson e Jalen Duren somaram seis cestinhas de três na temporada passada (Thompson, 6 de 24; Duren nunca tentou um em dois anos de NBA). Daí Detroit ter fechado em 29º em tentativas e 28º em acertos de três. As contratações de Isaiah Joe e John Collins tentam compensar, mas enquanto os dois jovens não abrirem o espaço, nomes como Ron Holland II (25% de três) podem ser sacrificados.
Golden State Warriors: 2019 — A temporada 2018-19 foi a última de Kevin Durant, a quinta Final consecutiva e, até hoje, a última vez em que os Warriors terminaram no top-10 em rating ofensivo e defensivo. Mesmo no título de 2021-22, o ataque ficou em apenas 17º. O elenco de 2026-27 é praticamente o mesmo grupo que acabou 37-45, castigado por lesões. Mais saúde pode trazer de volta um time vencedor; contender de novo exige peças melhores.
Houston Rockets: 37.4% — Os Rockets lideraram a NBA pegando 37.4% dos próprios rebotes ofensivos — a maior taxa de qualquer time desde 2003, segundo o Stathead. Foi o que sustentou um ataque sem grandes virtudes: 7º em rating ofensivo, apesar de arremessos ruins, poucos lances livres e muitas perdas de posse. Mas a dependência deu cara feia quando Steven Adams perdeu a temporada por lesão no tornozelo. O retorno de Fred VanVleet e a força de Kevin Durant — que atuou em apenas um jogo dos playoffs — ajudam, mas o time precisa aprender a pontuar sem viver de segunda chance.
Indiana Pacers: 487 — Quando Tyrese Haliburton entrar em quadra na estreia — em New Orleans, e não em casa, decisão polêmica — terão se passado 487 dias desde seu último jogo (o Jogo 7 das Finais de 2025). A temporada dos Pacers depende de como se deu a recuperação do rompimento do tendão de Aquiles. O elenco de apoio é forte e o sistema está pronto; sem um Haliburton 100%, porém, o time é um carro veloz sem motor.
LA Clippers: 30 — A idade média de 30.0 anos fez dos Clippers o time mais velho da liga na temporada passada — como em 2024-25 e 2023-24, e o segundo mais velho em 2022-23. Mesmo sem Kawhi Leonard e James Harden, e com Chris Paul aposentado já na casa dos 40, os Clippers seguem entre os elencos mais velhos da NBA nesta temporada.
Em que pé estamos
A pré-temporada de 2026-27 desenha uma liga de histórias opostas: times jovens apostando tudo em desenvolvimento (Chicago, Detroit, Brooklyn), candidatas ajustando detalhes defensivos (Atlanta, Cleveland) e veteranos tentando esticar o ciclo (LA Clippers). O recorte estatístico da pré-temporada é apenas o ponto de partida — a confirmação, ou a refutação, vem a partir da noite de abertura, e é ela que a torcida vai acompanhar jogo a jogo pelos próximos dez meses.
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Fonte: ESPN NBA News
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