🏀 Por dentro do basquete de 'One Tree Hill' 23 anos depois
A partida beneficente «Hey 23» celebrou os 23 anos da estreia de One Tree Hill, reunindo cerca de 5.000 fãs no Trask Coliseum, em Wilmington. O elenco original, incluindo James Lafferty e Chad Michael Murray, voltou à quadra em clima de reencontro, com eventos do Friends with Benefit e arrecadação para o St. Jude. Lafferty, ex-MVP no colégio, e Paul Johansson tiveram carreiras reais no basquete.

Redação Prancheta Viva
O primeiro sinal de que aquilo não era um evento comum
Logo na chegada ao Aeroporto Internacional de Wilmington, na Carolina do Norte, a atendente da locadora já disparou a pergunta: "Veio para o grande jogo?". O aviso veio na sequência: quem quisesse um assento decente precisava estar na fila às 7 da manhã. Não era a NCAA, não era a NBA — era a partida comemorativa «Hey 23», que celebrou os 23 anos da estreia de «One Tree Hill», série Teen drama exibida de 2003 a 2012 e gravada justamente em Wilmington.
Quem desembarcava naquele dia tinha praticamente o mesmo destino: casais, famílias e grupos de amigos de todas as idades, todos de preto, branco e azul-royal — as cores dos Ravens, time fictício de Tree Hill. A repórter da ESPN que cobriu o evento contou pelo menos sete camisas "Scott" e duas capas vermelhas inspiradas em Quentin Fields antes de se deparar com uma placa artesanal: "You can't kill Dan Scott". O número da vaga do carro alugado? 23. Coincidência ou presságio, a cidade inteira parecia ter sido tomada pelos personagens.
19 de setembro: quase 5.000 pessoas no Trask Coliseum
O jogo aconteceu no dia 19 de setembro, no Trask Coliseum, ginásio da UNC Wilmington, com cerca de 5.000 torcedores presentes. Em quadra, os astros da série voltaram a se reunir: James Lafferty e Chad Michael Murray — os irmãos Scott, de 41 e 45 anos, respectivamente —, além de Antwon Tanner, Robbie Jones, Bryan Greenberg e Stephen Colletti. Torcedores vieram de lugares tão distantes quanto França, Austrália e Groenlândia.
A produção transformou o ginásio em Tree Hill de verdade: foto do time na parede, bandeiras e produtos dos Ravens nas arquibancadas, um cartaz gigante de campanha fictícia "Dan Scott para prefeito", mascote dançando e uma torcida de voluntárias em uniformes oficiais dos Ravens. O músico Tyler Hilton, que interpretou Chris Keller, cantou o hino norte-americano — e quando "I Don't Want To Be", de Gavin DeGraw (2003), estourou nos alto-falantes, o clima chegou ao nível do clássico duelo Tobacco Road, só que sem a hostilidade.
O jogo fez parte de um fim de semana maior de reencontro, organizado pelos eventos beneficentes "Friends with Benefit": sessões de autógrafos, meet-and-greets com o elenco, um show de Hilton e Greenberg e um desfile de moda. Rae Agostino, fundadora e CEO da organização (e figurante da série), conta que a inspiração veio dos jogos beneficentes que Lafferty promovia nos anos em que a série estava no ar. A arrecadação vai para o St. Jude Children's Research Hospital e outras instituições escolhidas pelos artistas.
O elenco que sabia jogar bola de verdade
Se a série é subestimada como "drama adolescente", o basquete dentro dela sempre foi levado a sério. Paul Johansson, o vilão Dan Scott, não tem dúvidas sobre Lafferty: "James é um jogador de basquete muito bom. Tinha QI alto de quadra, tipo Steve Nash ou outros armadores. Era um líder".
Lafferty foi escalado para o papel aos 17 anos, ainda estudante do último ano do colegial, recém-eleito MVP da equipe da Hemet High School, na Califórnia. O teste final foi literalmente uma partida um contra um contra um produtor, na casa de um executivo. "Eu estava tentando ser educado, e ele me lembrou que não era hora de educação — eu estava jogando pelo meu emprego", lembra o ator. No estilo Nathan Scott, Lafferty zerou o adversário e ficou com o papel. Quando o episódio-piloto foi aprovado, ele já estava no alojamento da Long Beach State, de onde planejava tentar uma vaga no time de basquete por indicação.
Do lado de Dan Scott, a história também passa pela quadra. Johansson jogava na E League (Entertainment League) de Los Angeles, cujo elenco incluiu nomes como Leonardo DiCaprio, Tobey Maguire, Nick Cassavetes e Kevin Connolly. Foi jogando contra Brian Robbins, produtor-executivo da série, que ele chamou a atenção: "Ele pensou: 'Esse cara é o Dan Scott'". Johansson chegou a fazer turnês internacionais pela seleção canadense de basquete e a estrelar um comercial ao lado de Magic Johnson. E o espírito competitivo segue o mesmo: segundo Antwon Tanner, ele é o maior puxa-briga do elenco — "é o cara que você quer no seu time, mas odeia enfrentar".
Robbie Jones, o Quentin Fields, jogou na Universidade da Califórnia (Cal) entre 1996 e 2000, depois na American Basketball Association e no exterior, na França, Argentina e México. Sua partida mais memorável, porém, foi um rachão na UCLA: "Eu e o time do Russ Westbrook contra o Kobe Bryant. O Russ ainda estava na faculdade, os dois queríamos marcar o Kobe — e claro que ele ficou com a marcação". Jones abandonou a carreira de jogador após uma oferta da França chegar justamente quando ele começava aulas de teatro, passou no teste de «One Tree Hill» e segue na atuação até hoje.
Ficção e realidade: o basquete como fio condutor
A série sempre misturou astros e atletas: passaram por Tree Hill nomes como Rick Fox, Tony Gonzalez, Jerry Rice, Emeka Okafor, Metta Sandiford-Artest (então Ron Artest) e Jeff Burton. Lafferty, torcedor declarado dos Los Angeles Lakers, adorou ver Fox como o agiota vilão Daunte Jones: "Eu vi o Rick Fox ganhar anéis naquele time icônico. Atuar com ele foi um sonho realizado". Já Tanner lembra do susto bom de ver Jerry Rice no set — e do treino que veio depois: "Ele corria sete milhas de manhã e ainda ia treinar depois. Eu não voltei no dia seguinte".
Pode parecer arbitrário comemorar 23 anos em vez dos tradicionais 20 ou 25. Para quem acompanhou a trajetória de Nathan Scott — da conquista estadual no colégio ao recrutamento por Duke, a passagem pelo escândalo de manipulação de resultados, o título nacional em Maryland, a lesão na coluna na véspera do draft da NBA e a volta pela NBA D-League até virar titular do então Charlotte Bobcats —, cada número faz sentido. Como resumiu a cheerleader voluntária Cassie Danforth: "É a mesma coisa. Nós somos Tree Hill".
Onde estamos: o encontro de Wilmington encerra a fase de evento com a comunidade consolidada e em crescimento — 23 anos após a estreia, a série segue unindo basquete, nostalgia e ação social, com a arrecadação direcionada a causas como o St. Jude.
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Fonte: ESPN NBA News
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