Espanha é atual campeã mundial e europeia. E isso é só o começo
A Espanha encara a Inglaterra em Wembley com 38 partidas invicta e três títulos consecutivos sob o comando de Luis de la Fuente, que completa 50 jogos com apenas duas derrotas. A matéria relembra a queda em 2014, a reconstrução após a derrota para a Escócia e o sistema de formação que renova o time sem traumas, com os olhos na Copa de 2030, coorganizada pela Espanha.
Redação Prancheta Viva
A Espanha chega ao confronto contra a Inglaterra, sábado, em Wembley, com uma marca que nenhum outra seleção alcançou: 38 partidas invicta. O jogo também tem peso simbólico para o técnico Luis de la Fuente, que completa 50 partidas no comando e acumulou apenas duas derrotas até aqui. A pergunta que ronda o futebol europeu é se os ingleses conseguem, enfim, derrubar os campeões mundiais — e o precedente de 2014 dá certo combustível para a torcida anfitriã.
Causa: a queda do império em 2014
Quem busca esperança para barrar a La Roja precisa voltar ao Brasil 2014. Na ocasião, a Espanha chegou como campeã mundial e caiu ainda na fase de grupos, numa eliminação humilhante. Depois de vencer três torneios seguidos — a Euro 2008, a Copa de 2010 e a Euro 2012 —, o ciclo se desmoronou de forma abrupta.
Joan Capdevila, lateral campeão de 2008 e 2010, contou à ESPN como aquele processo se degradou: os Clássicos entre Barcelona e Real Madrid, cheios de pancadaria e rancor, contaminaram o vestiário da seleção. "Em 2014, quase teria sido melhor nem ir ao Brasil", disse. Ele lembra que Vicente del Bosque foi praticamente obrigado a manter a base campeã de 2012, mesmo com o time no fim do ciclo. "A gente tinha ficado sem gasolina."
Desenvolvimento: De la Fuente reconstrói a partir de uma derrota
A reconstrução começou justamente por um tropeço. Quando assumiu a seleção, De la Fuente perdeu sua segunda partida, contra a Escócia, em Hampden Park. A campanha de deboche da imprensa só fez endurecer o grupo. Dois meses e meio depois, a Espanha venceu a Croácia na final da Liga das Nações 2023, em Rotterdam — o primeiro título em 11 anos.
"Foi um período duro, mas nos tornou melhores e mais fortes", disse o treinador à UEFA. "Entendemos que nada viria de graça. Depois daquela conquista, o time mudou."
A partir dali, vieram a Euro 2024 — com a vitória na final sobre a Inglaterra, mesmo sem Rodri, lesionado, substituído por Zubimendi — e a Copa do Mundo de 2026, conquistada em Nova Jersey. São três títulos seguidos, repetindo a sequência de 2008-2012, algo inédito até então no futebol masculino.
Últimos desdobramentos: a máquina de formar talentos não para
O que diferencia esta geração da anterior, segundo Capdevila, é a esteira de formação. Os números sustentam o argumento:
- Prata olímpica em 2021 e ouro em 2025; oito jogadores que começaram a final olímpica de 2021 — Unai Simón, Pedri, Marc Cucurella, Dani Olmo, Mikel Merino, Mikel Oyarzabal, Martín Zubimendi e Eric García — foram campeões mundiais cinco anos depois;
- Cinco das últimas sete edições do Euro Sub-21 entre finalistas ou campeãs, já classificada para o Euro 2027, e recorde histórica de títulos na categoria;
- No Sub-19, recordista absoluta; no Sub-17, nove títulos em 15 finais, ainda que sem conquista desde 2017.
Thierry Henry, campeão olímpico rival da Espanha em 2025, resumiu à CBS: "Eles não criam indivíduos, criam times. Os jogadores espanhóis pensam dois, três passos à frente."
A renovação acontece sem traumas: entre a final da Liga das Nações 2023 e a da Euro 2024 foram cinco mudanças no time titular; mais cinco para a final de 2025 e outras seis para a final da Copa. Com contrato até 2032, De la Fuente tem mandatário para planejar tudo: a Liga das Nações do próximo verão, a Euro 2028, a Liga das Nações de 2029 e a Copa de 2030 — que a Espanha coorganiza.
Capdevila está convicto do tamanho do desafio para os adversários: "Esses meninos podem ganhar três Copas seguidas. E 2030 é em casa — olho nela!"
Em que pé está
A Inglaterra entra em Wembley como o primeiro teste sério contra um time que transformou o pós-título em rotina de trabalho, não de festa. O precedente de 2014 existe, mas esta Espanha tem idade, banco de talentos e um sistema de formação que faz o ciclo de sucessão parecer natural. O jogo de sábado dirá se a invencibilidade de 38 partidas sobrevive — ou se a La Roja segue caminhando para um quarto título consecutivo.
Aviso
As previsões e análises apresentadas neste artigo constituem exclusivamente opinião editorial, elaboradas com base em informações públicas, sem qualquer garantia de resultados. Este site não oferece, não promove e não recomenda apostas ou quaisquer formas de jogo. A participação em apostas é proibida para menores de 18 anos. Jogue com responsabilidade, se aplicável.
Comentários (0)