25 dias até a NBA: Memphis Grizzlies deixa para trás a era Ja Morant e inicia novo capítulo com Cam Boozer
Os Memphis Grizzlies encerram a era Ja Morant, Jaren Jackson Jr. e Santi Aldama após uma temporada de 25 vitórias e 57 derrotas marcada por lesões. Com a 3ª escolha do Draft, Cameron Boozer, e reforços como Ty Jerome, Zach Edey e Karim Lopez, a franquia inicia reconstrução com base jovem, três escolhas de primeira rodada e expectativa de brigar pelo play-in no Oeste.

Redação Prancheta Viva
O que levou a troca geral no elenco
Quando Ja Morant, Jaren Jackson Jr. e Santi Aldama guiaram os Grizzlies aos playoffs no início da década, o time de Memphis tinha uma identidade clara. Sem perspectiva de futuro com aquela base, porém, a diretoria usou o último ano para desmontá-la — e ganhou ativos promissores nas trocas de Desmond Bane e Jaren Jackson Jr., além de Aldama na offseason, e ainda se livrou do contrato de Morant.
O caminho até aqui foi acidentado. Na temporada passada, o time flertou com a zona de classificação no começo, mas uma chuva de lesões derrubou as pretensões: Ty Jerome disputou apenas 15 partidas, Zach Edey 11 e Ja Morant 20. Ao todo, os Grizzlies usaram 33 atletas na temporada. O resultado: 25 vitórias, 57 derrotas e o 13º lugar no Oeste. A sorte na loteria, ao menos, veio: terceira escolha no Draft, que virou Cameron Boozer.
O elenco que começa do zero
Chegam Cameron Boozer (ala-pivô, 3ª escolha) e Karim Lopez (ala, 21ª escolha) pelo Draft, além de Isaiah Stewart (Pistons), Jerami Grant e Kris Murray (Trail Blazers), D'Angelo Russell (Wizards), Jordan Hawkins e Micah Peavy (Pelicans) e Quinten Post (Warriors). Saíram Ja Morant (Trail Blazers), Santi Aldama (Mavericks), Kentavious Caldwell-Pope (76ers) e o aposentado Taj Gibson.
Provável titular: Ty Jerome, Jaylen Wells, Cedric Coward, Cam Boozer e Zach Edey — quase todos os homens grandes são recém-chegados. O técnico Tuomas Iisalo, em sua segunda temporada completa, tem agora um plantel praticamente novo para recriar o estilo que o antigo sistema, baseado em poucos pick'n rolls, já não sustentava.
Os pilares da nova era
Cam Boozer chega de Duke como a principal peça da franquia, comparado a nomes como Kevin Love e Paolo Banchero. "Versatilidade é o nome do jogo. Posso fazer corta-luz, como posso também levar a bola. Podem me colocar em muitos cenários diferentes", disse o calouro, inspirado no último campeão, o New York Knicks. Sua força está no jogo de costas para a cesta e na leitura de jogo, com a velocidade lateral como ponto de atenção.
Ty Jerome é a esperança de consistência. Foram só 15 jogos, mas excelentes: 19,7 pontos, 2,8 rebotes, 5,7 assistências e 42% de três em apenas 22 minutos — eficiência ofensiva por posse atrás só de Shai Gilgeous-Alexander e Nikola Jokic. Zach Edey, de 2,21m, também precisa se manter saudável: quando o tornozelo permitiu, teve quase 2 tocos e 0,6 roubos em 25 minutos.
Fique de olho ainda em Cedric Coward (13,6 pontos, 5,9 rebotes e 2,8 assistências como calouro, mas oscilando entre 40% e 20% de três ao longo da temporada) e no mexicano Karim Lopez, de 19 anos, que vem da liga australiana e pode se tornar a maior estrela do México na NBA — até hoje, apenas Eduardo Nájera representou o país com destaque, de 2001 a 2012.
O que está em jogo
Os Grizzlies terão três escolhas de primeira rodada no próximo Draft: a própria, a dos Lakers (caso não seja top 4) e a melhor entre Jazz, Cavs e Timberwolves (caso não seja top 5). Com isso, a franquia pode acelerar a renovação ou usá-las para trocar por mais talento.
O otimismo cabe: Boozer, Wells, Coward, Scotty Pippen Jr., GG Jackson, Walter Clayton e Hawkins formam uma base jovem interessante, com veteranos de qualidade como Jerome, Grant e Stewart. O pessimismo também: se as lesões persistirem, ou se Iisalo não for o técnico certo para a reconstrução, o preço será alto — e o time corre o risco de ficar estacionado fora das três piores campanhas, zona que daria melhor acesso ao Draft.
Palpites e expectativa
No cenário otimista, com elenco saudável e Boozer dando as cartas cedo, Memphis briga pelo play-in do Oeste. No pessimista, Iisalo sofre para administrar tantos jovens e o time amarga mais uma temporada de irregularidade. O grau de apelo para o telespectador fica em 2,5 (de 1 a 5): pode não ser o time mais empolgante da liga, mas vale parar de vez em quando para acompanhar o início dessa nova história.
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Fonte: ESPN Brasil
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