Turquia x França: Encerrada a era Deschamps, este é o projeto de Zidane para comandar os Les Bleus
Zinedine Zidane assume a seleção francesa após a saída de Didier Deschamps, que deixou legado com o título da Copa de 2018 e três semifinais seguidas de Mundiais. Zidane convocou 23 jogadores para a Liga das Nações, manteve a base e confirmou Mbappé como capitão. Planeja jogar no 4-3-3, com Mbappé na ponta-esquerda, e promove mudanças fora de campo para reduzir a espetacularização e focar no trabalho.
Redação Prancheta Viva
A linha do tempo: da despedida de Deschamps à chegada de Zidane
O legado que ficou
Didier Deschamps passou 14 anos no comando da seleção francesa. Nesse período, os Bleus conquistaram a Copa do Mundo de 2018, foram vices da Eurocopa 2016 e, detalhe importante, cravaram três semifinais consecutivas em Copas do Mundo — prova de que o time se manteve entre as melhores seleções do planeta. A despedida veio com eliminação para a Espanha, na semifinal da última Copa, após uma campanha marcada por críticas à postura apática da equipe nos jogos grandes.
O escolhido da FFF
Diante desse cenário, a Federação Francesa de Futebol (FFF) não encontrou nome mais adequado do que Zinedine Zidane. Herói do título inédito do Mundial de 1998 e da Euro 2000 — que encerrou um jejum de 16 anos dos franceses na competição da Uefa —, Zizou recebeu inúmeros convites de clubes nos últimos cinco anos e recusou todos, à espera de um único sonho: comandar a seleção.
Seu currículo de técnico se resume a duas passagens pelo Real Madrid (2016-2018 e 2019-21), mas de alto gabarito:
- Tricampeão da Champions League
- Bicampeão do Mundial de Clubes
- Bicampeão de LaLiga
- Bicampeão da Supercopa da Uefa
- Bicampeão da Supercopa da Espanha
Os primeiros atos: 23 convocados e uma renovação por dentro
Para os compromissos da Liga das Nações contra Turquia (25/09), Bélgica (28/09 e 05/10) e Itália (02/10), Zidane convocou 23 jogadores. Ele manteve a base de Deschamps — 15 remanescentes da Copa — e promoveu apenas cinco estreantes:
- Goleiros (3): Mike Maignan (Milan), Guillaume Restes (Toulouse), Robin Risser (Lens)
- Defensores (8): Andy Diouf (Internazionale), Jeremy Jacquet (Liverpool), Pierre Kalulu (Juventus), Ibrahima Konaté (Real Madrid), Jules Koundé (Barcelona), Maxence Lacroix (Chelsea), Adrien Truffert (Bournemouth), Dayot Upamecano (Bayern de Munique)
- Meias (6): Eduardo Camavinga (Real Madrid), Rayan Cherki (Manchester City), Lucas Da Cunha (Como), Manu Koné (Roma), Adrien Rabiot (Milan), Warren Zaïre-Emery (PSG)
- Atacantes (6): Bradley Barcola (Liverpool), Ousmane Dembélé (PSG), Désiré Doué (PSG), Esteban Lepaul (Rennes), Kylian Mbappé (Real Madrid), Michael Olise (Bayern de Munique)
Os lesionados Robin Risser e Warren Zaïre-Emery foram substituídos por Jean Butez (Como) e Maghnes Akliouche (PSG), respectivamente.
A renovação, embora tímida, já começou: Zidane deixou de convocar Lucas Hernandez (30), Theo Hernandez (28) e N'Golo Kanté (35), pilotos do núcleo experiente de Deschamps. O trio caminha para o fim do ciclo — assim como Karim Benzema (38), que não defende a França desde 2022 e não terá novas oportunidades com a troca de comando.
Hierarquia definida: Mbappé é o capitão
Zidane confirmou que a braçadeira fica com Kylian Mbappé. Na ausência do craque, Ousmane Dembélé, Adrien Rabiot e Jules Koundé — os jogadores com mais jogos pelos Bleus — podem assumir a função. Curiosidade: dos três, apenas Koundé integrava a hierarquia do comandante anterior.
Fora de campo: ruptura estética e menos espetáculo
A FFF também reformulou o escritório de Zidane em Clairefontaine, numa jogada de marketing para demarcar a ruptura com a era Deschamps. O próprio técnico deu sua primeira medida de impacto na última segunda-feira (21), ao proibir jornalistas e fotógrafos de cobrir a chegada dos jogadores à concentração — cena que virou febre nos últimos anos pelo desfile de trajes cada vez mais sofisticados.
Importante: Zidane não vetou o "desfile de moda", apenas limitou a divulgação das imagens à federação. O objetivo é claro — mais foco no trabalho dentro de campo, menos espetacularização.
Dentro de campo: 4-3-3, Mbappé na ponta-esquerda e Cherki entre as linhas
Segundo o jornal L'Équipe, os primeiros treinos dos Bleus foram no 4-3-3, formação que não chega a ser revolucionária. A grande mudança está no posicionamento de Mbappé: mais sequência na ponta-esquerda. Na entrevista de apresentação, Zidane disse que o atacante do Real Madrid pode atuar nas três posições ofensivas, mas que "gostava muito dele pela esquerda". Com isso, Dembélé tende a atuar centralizado.
E ele não demonstrou preocupação com as críticas à baixa contribuição defensiva do artilheiro: para Zidane, "não era um problema".
— Em termos de trabalho defensivo, este sistema representará um verdadeiro desafio para Mbappé e Cherki, e resta saber como eles lidarão com isso — analisou o jornalista Romain Lantheaume, do Top Mercato Fr, à Trivela.
Outro mantra do novo treinador é a movimentação no setor ofensivo, somada à admiração por Rayan Cherki, o perfil de "verdadeiro camisa 10, capaz de jogar entre as linhas, criativo". Com Michael Olise na direita, a tendência é que o quarteto ofensivo ganhe sequência jogando junto.
Há ainda a palavra "equilíbrio": Zidane quer ver sua equipe jogar, mas sem abrir mão da defesa. É por isso que os laterais — principal fraqueza dos Bleus nos últimos anos — trocaram de protagonismo: Andy Diouf, na direita, e Adrien Truffert, na esquerda, têm prioridade para disputar as vagas de titular.
Nos treinos, segundo Lantheaume, os jogadores praticam um futebol baseado em passes, mais do que na era Deschamps — nada de surpresa dado o histórico de Zidane como meio-campista e treinador. O técnico também prioriza passes diagonais em campos reduzidos, como exercício de exploração de espaços.
Onde estamos
A França vive o momento exato de transição: a base ainda é de Deschamps (15 dos 23 convocados), mas as mudanças — hierarquia de Mbappé, laterais novos, menos exposição, mais troca de passes — já mostram o desenho da era Zidane. A resposta em campo vem nos jogos da Liga das Nações contra Turquia, Bélgica e Itália, a partir do dia 25/09.
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Fonte: Trivela
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