Dirigentes da NBA vão reprimir empurrões como parte das novas diretrizes de 2026-2027.
A NBA endurece faltas por empurrões ofensivos na temporada 2026-27, com o modelo Quatro F, para proteger defensores e controlar a pontuação.

Redação Prancheta Viva
Contexto: um boom de pontos e uma liga atrás de limites
A informação foi publicada em 29 de setembro de 2026, às 22h13, no horário do Leste dos Estados Unidos, por Ben Golliver, repórter sênior de NBA da ESPN desde maio de 2026. Antes de entrar na ESPN, Golliver cobriu a NBA em nível nacional desde 2010 para The Washington Post, Sports Illustrated e CBS Sports. Ele é autor de Bubbleball, relato sobre sua estada de 93 dias na Bolha da NBA, montada na Disney World durante a pandemia do coronavírus. O repórter trabalha baseado em Los Angeles.
A NBA orientou seus árbitros a endurecer a fiscalização contra jogadores ofensivos que usam os braços para empurrar defensores na próxima temporada. A liga anunciou a mudança na terça-feira, em uma conferência por telefone, e apresentou o assunto como um de vários novos pontos de ênfase para os oficiais.
James Jones, vice-presidente executivo de operações de basquete da NBA, disse que a liga emitiu nova orientação sobre quatro tipos de marcações “de alto volume e alto impacto”, incluindo os empurrões. Segundo Jones, o objetivo da NBA é garantir que “a forma como nosso jogo é jogado e a forma como nosso jogo se apresenta continua a acompanhar favoravelmente jogadores e torcida”.
O empurrão ilegal aparece com mais frequência quando um jogador ofensivo usa o braço que não está driblando para tocar um defensor e abrir espaço para arremessar do perímetro. A liga reconhece que algum tipo de disputa de posição entre atacante e defensor é legal e esperado. A nova instrução, porém, manda os árbitros usarem o modelo dos Quatro F para decidir se marcam falta ofensiva em um empurrão.
Desenvolvimento: os Quatro F entram em cena
Os Quatro F são: feeling, ou “sentir”; firming, ou “firmar”; force, ou “força”; e full extension, ou “extensão total”.
Os árbitros foram orientados que o jogador com a bola pode usar o braço livre para “sentir” o oponente ou para “firmar-se” ao se recolher na frente de um defensor. Mas devem marcar falta ofensiva se o braço livre tocar o defensor com “força” ou estiver “totalmente estendido” para criar vantagem.
Monty McCutchen, vice-presidente sênior de desenvolvimento e treinamento de árbitros da NBA, resumiu a preocupação: “Temos de garantir que o lado defensivo não seja penalizado por atos ilegais do jogador ofensivo. Acho que podemos fazer um trabalho melhor.”
A nova orientação chega no meio de um boom de pontos. Na temporada passada, os times da NBA tiveram média de 115,6 pontos, a marca mais alta desde a temporada 1969-70. Nos últimos anos, a liga já vinha tentando reduzir outras ações ilegais de atacantes, como parar de repente para criar colisões, abrir as pernas durante tentativas de arremesso e saltar para o lado contra defensores para ganhar lances livres.
Marco histórico: Michael Jordan passaria no novo filtro
Michael Jordan protagonizou talvez o empurrão mais famoso da história da NBA ao se livrar do armador Bryon Russell, do Utah Jazz, para acertar um arremesso de meia distância nos segundos finais do Jogo 6 das Finais da NBA de 1998. Nenhuma falta ofensiva foi marcada, Jordan converteu a cesta e os Bulls conquistaram o sexto título da década de 1990.
Pelo novo padrão dos Quatro F, Jordan não seria apitado por falta ofensiva contra Russell, porque não teria tocado o corpo do defensor com força perceptível nem estendido totalmente o braço esquerdo.
Exemplos do vídeo da liga: Brown-Oubre e Barrett-Mobley
Na terça-feira, a NBA divulgou um vídeo com vários empurrões que seriam considerados faltas ofensivas pelo novo modelo. Em um dos lances, a então estrela do Boston Celtics, Jaylen Brown, ergueu o antebraço direito e empurrou o peito do então jogador de frente do Philadelphia 76ers, Kelly Oubre Jr., para preparar um arremesso perto da linha de lance livre.
Os empurrões ilegais, porém, não ficam restritos ao perímetro. Em outro clipe fornecido pela NBA, o ala do Toronto Raptors, RJ Barrett, usou o braço direito para se afastar do jogador de frente do Cleveland Cavaliers, Evan Mobley, ao invadir o garrafão. Como a ação de Barrett foi forte o suficiente para fazer Mobley tropeçar para trás perto da cesta, as diretrizes da liga consideram isso falta ofensiva.
McCutchen reconheceu que distinguir o contato apenas “firme” do contato “com força” será o maior desafio dos árbitros ao avaliar empurrões. “Haverá contatos que você consideraria firmar-se e eu consideraria com força e ilegais. Vamos nos reunir com o comitê de competição com mais frequência no início da temporada para receber o retorno deles sobre jogadas que ficam na linha de demarcação”, afirmou.
Outros pontos de ênfase: bloqueios e trajetória reta
Neste ano, os árbitros da NBA também foram orientados a monitorar com atenção o contato ilegal de jogadores ofensivos ao fazer bloqueios, como empurrões, e o contato ilegal de defensores que atrapalha o deslocamento, como agarrar e segurar longe da bola.
Por fim, a liga destacou as jogadas de trajetória reta, quando atacante e defensor avançam em direção à cesta. Ambos têm o direito de permanecer na trajetória direta para a cesta, e ambos correm risco de falta se desviarem do próprio caminho para esbarrar o outro para fora dessa trajetória direta.
O que isso significa para a torcida
Para o torcedor, o recado da NBA é direto: o time que abre espaço com o braço livre pode começar a pagar por isso com mais frequência. Ao mesmo tempo, a liga mantém a ideia de que o jockeying, a disputa de posição, continua fazendo parte do jogo. A fase atual é de ajuste: os Quatro F entram como régua para empurrões, bloqueios e contato defensivo, e a NBA admite que haverá lances na linha de demarcação até que o padrão de marcação fique mais claro para árbitros, times e torcida.
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