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A morte de Chiaki Ishii, primeiro medalhista olímpico do judô brasileiro, causa luto entre profissionais da modalidade e evidencia seu legado incalculável

Chiaki Ishii, primeiro medalhista olímpico do judô brasileiro, morre aos 85 e deixa legado que abriu 27 conquistas na modalidade.

A morte de Chiaki Ishii, primeiro medalhista olímpico do judô brasileiro, causa luto entre profissionais da modalidade e evidencia seu legado incalculável

Redação Prancheta Viva

A morte de Chiaki Ishii, primeiro medalhista olímpico do judô brasileiro, causa luto entre profissionais da modalidade e

Chiaki Ishii morreu nesta sexta-feira (16), aos 85 anos. O anúncio encerra a vida de um nome que não apenas abriu a primeira página de medalhas do judô brasileiro em Jogos Olímpicos, mas também ajudou a transformar a modalidade em uma referência do esporte olímpico nacional. Antes dele, o Brasil nunca havia subido ao pódio olímpico no tatame. Depois dele, vieram mais 27 conquistas.

Origem no Japão e os primeiros anos no Brasil

Chiaki Ishii nasceu em Ashikaga, no Japão. A chegada ao Brasil não aconteceu sob os holofotes de um campeão: ele veio ao país aos 22 anos e, em um primeiro momento, trabalhou como agricultor em uma colônia japonesa em Presidente Prudente, no interior de São Paulo.

O caminho até o alto rendimento, porém, foi mais duro do que vitorioso no início. Ishii não conseguiu aprovação na seletiva japonesa para os Jogos Olímpicos de Tóquio-1964. O fracasso na seleção do país de origem não o afastou do esporte; empurrou-o para um novo ciclo, desta vez em solo brasileiro, onde o talento acabaria falando mais alto.

Naturalização e o surgimento de um pioneiro

Em 1969, Chiaki Ishii se naturalizou brasileiro. A mudança de nacionalidade coincidiu com a ascensão de um judoca que rapidamente se tornou um dos maiores fenômenos do esporte no país. Além de títulos sul-americanos e pan-americanos, ele começou a construir o legado que o colocaria no topo da história da modalidade.

A Confederação Brasileira de Judô (CBJ) relembrou dois marcos fundamentais: a primeira medalha mundial do Brasil no judô, no Mundial de Ludwigshafen 1971, e a primeira medalha olímpica do judô nacional, nos Jogos de Munique 1972. Ambas de bronze, ambas na categoria até 93 kg.

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Munique-1972: o bronze que abriu a era

O resultado em Munique-1972 não foi apenas um pódio. Foi o ponto de partida para o que o judô brasileiro se tornaria nas décadas seguintes. A medalha de Chiaki Ishii é reconhecida como o primeiro ouro de uma sequência histórica que, a partir dali, ganhou corpo, identidade e novos nomes.

A CBJ destacou que sua trajetória é marcada pelo pioneirismo, pela dedicação incansável ao judô e por um legado incalculável dentro e fora do tatame. Para a comunidade do esporte, Ishii não é só um medalhista: é um dos pioneiros das artes marciais no país.

O número que traduz o impacto

Depois da conquista de Chiaki Ishii, o Brasil acumulou mais 27 conquistas no judô olímpico. Esse dado ajuda a dimensionar o efeito do primeiro bronze. Cada medalha posterior carrega, de alguma forma, a marca do pioneiro que validou o judô brasileiro como caminho possível para a glória olímpica.

Por sua importância, Ishii integrou o Hall da Fama do Comitê Olímpico do Brasil (COB). Ele também foi homenageado com o Troféu Adhemar Ferreira da Silva, entregue a nomes que transmitiram grandes ensinamentos ao esporte nacional.

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Despedida e reação da nova geração

A CBJ lamentou o falecimento de Chiaki Ishii sem confirmar a causa da morte. Nas redes sociais da confederação, atletas que deram sequência ao legado vitorioso — como Ketleyn Lima Quadros e Rafaela Silva — deixaram mensagens de tristeza e reconhecimento.

O comunicado da entidade se encerrou com uma nota de solidariedade: a CBJ se disse solidária à família, aos amigos e a toda a comunidade do judô neste momento de dor e despedida.

O que fica após a perda

A morte de Chiaki Ishii fecha um capítulo, mas não desfaz a fundação. O judô brasileiro segue competitivo, com atletas de elite e novos nomes em formação, e ainda se apoia no marco que um ex-agricultor de Presidente Prudente estabeleceu entre 1969 e 1972.

A partir desta sexta-feira, o Brasil perde um de seus heróis mais antigos. Fica, porém, a memória do primeiro bronze e o registro de que, antes das 27 conquistas seguintes, houve um japonês-brasileiro que chegou ao país sem promessa de medalha e voltou ao mundo como pioneiro.

Redação Prancheta Viva

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