Maior medalhista dos Jogos desvenda o segredo do sucesso e a recuperação após tropeço na seletiva olímpica
Stephan Steverink superou tropeço na seletiva olímpica, virou maior medalhista de Santa Fe 2026 e destaca treino, recuperação e rivalidade sadia.

Redação Prancheta Viva
Origem: da base promissora à frustração da seletiva olímpica
Stephan Steverink, de 22 anos, filho de mãe holandesa e pai brasileiro, é apontado desde a base como uma das grandes promessas da natação brasileira. Em 2019, ainda muito jovem, ele nadou pela primeira vez com Guilherme Costa, o Cachorrão: o veterano estava na raia 4, e Steverink na raia 8. A diferença foi de 200 metros, mas a memória virou referência.
Em 2022, o brasileiro confirmou esse status ao vencer o Mundial júnior dos 400m livre em Lima, com 3:48.27. O salto, porém, não trouxe vaga imediata para os Jogos Olímpicos de Paris 2024. Na seletiva olímpica, ele chegou com muita vontade e disse ter nadado “comendo água” até a disputa. O resultado não veio por muito pouco. Steverink admitiu que ficou triste porque achava que iria, mas também disse que aprendeu muito com o momento.
No Troféu Brasil, o brasileiro venceu os 400m medley com 4:16.29, quase quatro segundos acima do índice olímpico necessário para disputar os Jogos na França. Ele reconheceu o choque, mas afirmou que todo atleta de alto rendimento tem uma queda e que a experiência o ajudou a chegar ao próximo ciclo olímpico mais maduro, mais forte e mais competitivo. Para o nadador, o sonho de ir aos Jogos Olímpicos começou na infância e não desapareceu.
Steverink também comentou que, quando se passa de uma seletiva olímpica, há quatro anos até a próxima, e isso pode gerar dúvidas sobre o caminho a seguir. Mesmo assim, ele disse não ter perdido a vontade e o fogo de ir às Olimpíadas, brigar com todo mundo e ser o melhor do mundo.
Santa Fe 2026: recuperação e volume de treino sustentaram as seis medalhas
Nos Jogos Sul-Americanos de Santa Fe 2026, realizados na Argentina nas últimas duas semanas, Steverink foi o maior medalhista do principal evento multidesportivo da América do Sul. Foram seis medalhas: quatro de ouro, uma de prata e uma de bronze.
Ele foi campeão nos 200m nado livre, nos 400m nado livre, nos 400m medley e no revezamento 4x200m livre masculino. Também subiu ao pódio como vice-campeão dos 800m livre e terceiro nos 1500m. Em entrevista exclusiva à ESPN, falou sorrindo do início ao fim e afirmou que tinha expectativa de medalhas em todas as provas, mas conseguiu vencer as quatro mais difíceis e fez tudo certo.
A rotina em Santa Fe foi intensa. Em um dos dias, Steverink passou quatro horas e meia na piscina e nadou 14 quilômetros no total. Ele também contou que, quando tinha 16 para 17 anos, já treinava até 14km por sessão. Na competição argentina, um dos momentos mais marcantes veio quando ganhou duas medalhas de ouro na mesma sessão: nadou os 400m medley e, dez minutos depois, os 200m livre.
Para o brasileiro, o segredo do pódio estava justamente nas horas depois de ouvir o hino nacional. Sem perder tempo nem descanso, ele priorizou a recuperação entre provas longas como 1500m, 800m e 400m. Após conquistar uma medalha, precisava colocar a cabeça no lugar e entrar em outra disputa.
Steverink também disse gostar tanto de competir quanto de treinar, algo raro entre atletas que geralmente preferem apenas um dos dois. Convocado para Santa Fe, ele se viu como ponte entre a nova geração e nadadores mais experientes, como João Luiz Gomes, de 30 anos ou até 40 anos. Segundo ele, os mais velhos acalmavam os mais novos e davam dicas, enquanto ele próprio também conversava com jovens e recebia orientações. Isso tornou o ambiente da equipe brasileiro mais leve.
Confronto com Cachorrão e convivência entre gerações
A convivência com Guilherme Costa mudou o patamar da relação. Cachorrão, de 27 anos, foi 5º colocado nos 400m livre nas Olimpíadas de Paris 2024. Em Santa Fe, ele venceu os 800m e os 1500m livre, levando duas medalhas de ouro, mas ficou atrás de Steverink nos 400m livre.
Fora das provas, os dois são amigos. Dentro da piscina, existe rivalidade sadia, com respeito e uma troca em que um puxa o outro. O brasileiro relembrou que, em 2019, estava na raia 8 e recebeu 200 metros de diferença do nadador que então via como inspiração. Agora, competiu ao lado dele.
Kentucky, dezembro e 2027: o calendário que define o próximo passo
Desde agosto, Steverink deixou o Rio de Janeiro e o Flamengo, onde treinava, para enfrentar uma nova etapa na University of Kentucky, nos Estados Unidos. Ele trabalha com o técnico Jordan Lieberman e precisa conciliar esporte e estudos. Segundo o nadador, tanto a natação quanto as obrigações acadêmicas são sérias no circuito universitário americano.
O brasileiro mantém vínculo com o clube para competições nacionais. Ele chegou a competir em competições nacionais no Países Baixos, mas sempre preferiu defender o Brasil. Na University of Kentucky, encontrou um time com nadadores de quase todos os países e vê nisso uma forma de aprender técnicas, especialmente crawl, e voltar com mais bagagem.
A curiosidade técnica também está ligada ao japonês Shin Ohashi, de 17 anos, novo recordista mundial dos 200m peito com 2:04.83 nos Jogos Asiáticos nessa semana. Steverink destacou que Ohashi passou a 59 segundos, tempo que nas últimas duas Olimpíadas daria pódio, e elogiou a frequência e a estatura parecida com a sua, o que torna o nado interessante de estudar.
O calendário agora inclui campeonatos da faculdade a partir de novembro, um ciclo que segue até o meio do próximo ano, o Mundial de Piscina Curta em Pequim em dezembro, o Troféu Maria Lenk no primeiro semestre de 2027, os Jogos Pan-Americanos de Lima 2027 — vaga já garantida após título no Pan Júnior no início do ano — e o Mundial de Esportes Aquáticos em Budapeste, marcado para junho.
Em Budapeste, Steverink viveu seu primeiro Mundial da carreira. Agora, ele treina para voltar à cidade podendo representar o Brasil e, quem sabe, chegar a uma final ou ficar entre os cinco. A torcida brasileira acompanha um nadador que já foi promessa, sofreu um baque olímpico, voltou ao pódio em Santa Fe com seis medalhas e tenta transformar a experiência em Kentucky no próximo passo rumo ao alto nível internacional.
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