O que você precisa saber sobre o leilão da SAF do Vasco: 5 pontos essenciais
A 4ª Vara Empresarial do Rio realiza o leilão de 90% da Nova SAF do Vasco. Marcos Lamacchia, ligado à Crefisa, parte como favorito: sua proposta foi aceita como base do leilão (stalking horse), garantindo-lhe o direito de igualar ofertas rivais. O acordo prevê R$ 500 milhões em aportes para o futebol, investimento total de cerca de R$ 3 bilhões, verbas para base e CT, e uso de São Januário até 2030. A proposta ainda precisa de aprovação do Conselho Deliberativo, da Assembleia e de órgãos como CBF e Anresf.
Redação Prancheta Viva
O futuro societário do Vasco da Gama pode começar a ser definido nesta sexta-feira (25). A partir das 14h (de Brasília), a 4ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro realiza, em audiência fechada ao público, o leilão de 90% da Nova SAF do Cruzmaltino. O grande favorito é o empresário Marcos Lamacchia, filho de José Roberto Lamacchia, fundador da Crefisa, e enteado de Leila Pereira, presidente do Palmeiras.
DaMonday à autorização formal: como o processo chegou até aqui
A origem está na recuperação judicial do clube e na estruturação da Nova SAF, colocada à venda pela Justiça para atrair um investidor com capital e plano de sustentação financeira.
O avanço decisivo veio na última segunda-feira (21): Lamacchia depositou, por meio da Almirante Participações e Empreendimentos, um crédito de R$ 27 milhões na 4ª Vara Empresarial — o passo que autorizou formalmente o grupo a disputar o leilão.
O momento atual é a audiência desta sexta, quando as propostas lacradas dos interessados serão abertas e o quadro societário pode ser definido.
Por que Lamacchia sai na frente
A oferta da Almirante já foi aceita pelo juízo como stalking horse, ou seja, funciona como base do leilão competitivo. Isso garante ao empresário o right-to-match: o direito de igualar qualquer proposta superior apresentada por terceiros. Além disso, quem vencer a disputa terá de pagar a break-up fee de R$ 25 milhões à Almirante.
Quem quiser entrar na briga precisa apresentar caução de R$ 150 milhões à Justiça. E há uma válvula de escape no contrato: se o fechamento não ocorrer até 30 de setembro de 2026, a investidora poderá prorrogar o prazo ou desistir da operação sem penalidades.
O que manda a proposta da Almirante
O acordo vinculante prevê a aquisição de 90% da SAF com R$ 500 milhões em aportes, pagos em parcelas anuais de R$ 100 milhões corrigidas pelo INPC. Todo o valor será destinado exclusivamente ao futebol — elenco, comissão técnica e contratações — sem poder ser usado para pagamento de dívidas.
Entre as travas de proteção ao clube: a Almirante não poderá vender sua participação nem distribuir dividendos por 10 anos. Somando todos os compromissos assumidos, o investimento fica na casa dos R$ 3 bilhões. Há ainda a conversão de cerca de R$ 80 milhões do financiamento DIP (debtor-in-possession) concedido por Lamacchia via Crefisa em participação societária na SAF.
Deveres se vencer: da base a São Januário
Aprovada a proposta, a Nova SAF receberá o departamento de futebol completo, contratos de atletas e comissão técnica, contratos comerciais e de patrocínio, direitos de propriedade intelectual ligados ao futebol e o uso dos centros de treinamento. Em troca, a Almirante assume obrigações pesadas:
- Cumprir integralmente o Plano de Recuperação Judicial e as dívidas tributárias e extraconcursais, mantendo equilíbrio financeiro por pelo menos cinco anos;
- R$ 120 milhões no centro de treinamento profissional ao longo de 10 anos;
- R$ 30 milhões nas categorias de base em até dois anos;
- Projetos que possam gerar até R$ 150 milhões em incentivos fiscais ao clube em 10 anos;
- Aportes adicionais, sem aumento de participação acionária, se os recursos forem insuficientes.
A SAF terá uso prioritário e exclusivo de São Januário como mandante até 31 de dezembro de 2030, pagando R$ 3 milhões por ano ao clube — ou R$ 2 milhões se o estádio estiver em reforma. A operação exige, ainda, uma conta escrow com saldo equivalente a pelo menos três meses das obrigações da recuperação judicial, com a Crefipar Participações e Empreendimentos S/A e o próprio Lamacchia como fiadores solidários.
O caminho até a aprovação
Vencer o leilão não encerra o processo. A proposta vencedora precisará passar pelo Conselho Deliberativo e depois pela Assembleia Geral do Vasco, além do aval de órgãos como a CBF e a Anresf, a agência independente de fiscalização do fair play financeiro no Brasil.
Resistência: ex-jogadores na Justiça
Nem todos aceitaram o desenho da operação. Um grupo de credores — sete ex-jogadores e um ex-preparador físico — entrou com ação e depois com embargo tentando impedir o leilão, alegando que a decisão da 4ª Vara tem "erro de fundamentação", "omissões relevantes" e "contradições". Eles pedem a suspensão ou revogação da autorização até que todas as questões jurídicas sejam analisadas. O grupo é formado por Breno, Douglas Silva e Luiz Gustavo (zagueiros), Lucas Kal, Lucas Siqueira e Willian Maranhão (volantes), William Barbio (atacante) e Flávio de Oliveira (preparador físico).
Em que pé a coisa está
O Vasco chega à sexta-feira com o leilão autorizado, um candidato com posição privilegiada e resistência judicial ainda ativa. Em campo, o time segue no Brasileirão — visita o Botafogo em 07/10, às 20h30, recebe o Remo em 10/10, às 17h, e encara o Boca Juniors fora de casa em 13/10, às 21h30, pela CONMEBOL Sul-Americana. Nos bastidores, a definição do controle da SAF pode mudar o patamar de investimento do clube para a próxima década.
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