Estreia de Zidane à frente da França: de Beckenbauer a Maradona, o desempenho dos ídolos no comando de suas seleções
Zinédine Zidane estreia como técnico da França contra a Turquia pela Nations League. O artigo revisita o retrospecto de lendas do futebol que assumiram suas seleções: Beckenbauer e Zagallo venceram Copas, Deschamps foi campeão em 2018, enquanto Maradona, Platini, Hierro e outros tiveram campanhas decepcionantes. Casos intermediários como Van Basten, Zoff e Shevchenko completam o panorama variado que antecede o desafio de Zidane.
Redação Prancheta Viva
O que acontece hoje
Nesta sexta-feira (25), às 15h45 (horário de Brasília), Zinédine Zidane comanda a seleção francesa pela primeira vez. O adversário é a Turquia, no jogo de abertura da campanha francesa na Nations League. O campeão do mundo de 1998 como jogador entra agora para um clube nada exclusivo: craques históricos que assumiram a seleção do próprio país. O retrospecto dessa turma é dos mais variados — tem quem ergueu a taça da Copa, e tem quem saiu de portas batidas.
Quem deu certo: os campeões
Franz Beckenbauer é o padrão-ouro. Capitão da Alemanha no título de 1974, assumiu o time em 1984, foi vice na Copa de 1986 e campeão em 1990 — saindo em seguida, no auge. A Alemanha tentou repetir a fórmula: Rudi Völler (2000–2004) foi vice em 2002 mas caiu na Eurocopa; Jürgen Klinsmann parou na semifinal da Copa de 2006.
Zagallo é o caso brasileiro. Campeão em 1958 e 1962 como jogador, foi o técnico do título de 1970, com um dos times mais emblemáticos da história. Voltou ao comando após a Copa de 1994 (onde foi coordenador-técnico de Carlos Alberto Parreira) e chegou à final de 1998, derrotado pela França anfitriã. O Brasil também apostou em Dunga, capitão de 1994, em duas passagens: na primeira, conquistou a Copa América de 2007 e a Copa das Confederações de 2009, mas foi demitido após as quartas da Copa de 2010; na segunda, de 2014 a meados de 2016, caiu ainda na primeira fase da Copa América Centenário.
Didier Deschamps, capitão do título francês de 1998, assumiu a seleção em 2012 e só deixou o cargo agora, em 2026 — com a Copa de 2018 conquistada no caminho. É a ponte direta para a chegada de Zidane.
Quem se deu mal
Diego Maradona assumiu a Argentina em 2008, a tempo de levar Lionel Messi — já então melhor do mundo — à Copa de 2010. No caminho, o histórico 6 a 1 da Bolívia em La Paz, pelas eliminatórias, em 2009. No Mundial, eliminação nas quartas com 4 a 0 da Alemanha. Antes dele, Daniel Passarella, capitão de 1978, caiu nas quartas de 1998 para a Holanda (2 a 1).
Michel Platini commandou a França de 1988 a 1992: não classificou o país para a Copa de 1990 e caiu na primeira fase da Euro de 1992. Ainda na França, Laurent Blanc (2010–2012) e Just Fontaine, nos anos 60, passaram em branco.
Passagens intermediárias e casos curiosos
- Marco van Basten: aposentado aos 28 por lesão no tornozelo, dirigiu a Holanda de 2004 — oitavas em 2006 (derrota para Portugal) e quartas na Euro de 2008, caindo na prorrogação para a Rússia. Frank Rijkaard, Frank de Boer e Koeman também passaram pelo cargo, sem títulos.
- Dino Zoff: o goleiro mais velho a ganhar uma Copa (1982, aos 40 anos), foi vice na Euro de 2000 e saiu por conta das críticas de Silvio Berlusconi, então presidente do Milan. A Itália, aliás, segue recorrendo a ex-jogadores: Antonio Conte (2014–2016), Mancini (Euro de 2020, mas fora da Copa de 2022) e Gattuso, que também não levou a Azzurra ao Mundial deste ano.
- Fernando Hierro: assumiu a Espanha às pressas em 2018, dois dias antes da estreia na Copa, após a demissão de Lopetegui. Eliminação nas oitavas para a Rússia nos pênaltis, e adeus. Depois vieram Luis Enrique — saída em 2019 por motivos pessoais, retorno no mesmo ano, despedida em 2022 após as oitavas no Catar. Luis Suárez, dos anos 50 aos 70, já havia dirigido o país nas oitavas de 1990.
- Hugo Sánchez: lenda do México como jogador (Copas de 1978, 1986 e 1994), assumiu em 2006, foi vice na Copa Ouro de 2007 e deixou o cargo em março de 2008 por não classificar o país às Olimpíadas.
- Shevchenko (2016–2021) levou a Ucrânia às quartas da Euro de 2020 pela primeira vez na história. Stoichkov (2004–2007) e Hagi (2001, sem vaga para a Copa de 2002) tiveram passagens curtas e discretas. Ryan Giggs assumiu o País de Gales em 2018, foi afastado em 2020 para responder a um processo do qual foi inocentado em 2023, e renunciou definitivamente em junho de 2022.
Onde isso nos deixa
O primeiro teste de Zidane serve de lembrete para a torcida: ser ídolo de camisa não garante nada no banco. O histórico mostra que o cargo de craque-estreia pode acabar em título — como Beckenbauer, Zagallo e Deschamps — ou em vexame, como Platini e Maradona. A estreia contra a Turquia dará a primeira pista de qual caminho a segunda era Zidane na seleção francesa pode tomar.
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