Grassmaster à parte: a alternativa nada tradicional da Ligue 1 para aprimorar os gramados
A CBF estuda adotar no Brasileirão um modelo inspirado no 'Campeonato de Gramados' da Ligue 1, criado em 2013 pela LFP para melhorar a qualidade dos campos por meio da competição. Clubes e árbitros avaliam os gramados a cada rodada por cinco critérios, com notas de 1 a 20, análise de TV e multas de até 50 mil euros. O caso do Metz comprova a eficácia, e a Allianz Riviera, do Nice, venceu a edição 2025/26 com média recorde do torneio.
Por Redação Prancheta Viva
A polêmica que chega à mesa da CBF
A qualidade dos gramados do Brasileirão é um tema recorrente de discussões entre torcedores, técnicos e comentaristas no Brasil. Em busca de soluções, a CBF estuda medidas para reduzir as polêmicas envolvendo os campos da competição — e uma das inspirações pode vir de um modelo francês criado há mais de uma década.
Trata-se do "Campeonato de Gramados", um torneio à parte organizado pela Liga de Futebol Profissional (LFP) da França, que premia o clube com a melhor superfície de jogo da temporada.
O que é o Campeonato de Gramados
No começo da década passada, a qualidade dos campos do futebol francês virou centro de debates. A resposta da LFP foi introduzir um elemento competitivo na manutenção dos gramados, com o objetivo declarado de "melhorar a qualidade dos campos introduzindo um elemento competitivo".
O funcionamento funciona assim:
- Critérios técnicos: clubes e árbitros avaliam os campos a cada rodada com base em cinco critérios: trajetória da bola; firmeza e flexibilidade do solo; qualidade na aceleração, direção e paradas; qualidade no geral (densidade, cor); e condições abrangentes (aquecimento e marcações).
- Notas: nas primeiras temporadas, cada critério recebia nota de zero a cinco. Hoje, a LFP adota escala de 1 a 20.
- Avaliação extra de TV: na Ligue 1, até o diretor de TV da partida dá sua nota, analisando densidade do gramado, padrão (cor, faixas e marcações), estabilidade (como o campo se comporta em pisadas fortes, carrinhos e divididas) e uma análise geral.
- Jogos fora de casa: se um clube não puder usar o próprio estádio, qualquer que seja o motivo, o campo onde atuar como mandante é avaliado da mesma forma, alugado ou não.
- Jogo adiado: se um duelo precisa ser adiado, o time mandante recebe nota mínima (1) em todos os critérios, sem reavaliação na nova data.
- Punição: a Comissão de Competições da LFP pode aplicar multa de até 50 mil euros (cerca de R$ 292 mil na cotação atual) a equipes com média inferior a 10 em três jogos consecutivos.
Linha do tempo: da estreia ao recorde
2013/14 — Temporada inaugural do torneio nas duas primeiras divisões da França, inicialmente focada em eleger a "melhor grama natural". O PSG ficou com o título da primeira edição, e um troféu foi entregue a Jonathan Calderwood, responsável pela manutenção do campo do Parc des Princes.
2017/18 — A Ligue 1 passou a proibir campos integralmente sintéticos.
2025/26 — A Allianz Riviera, estádio do Nice, foi campeã do torneio mais recente, com Metz e Nantes em segundo e terceiro lugares, respectivamente. Curiosamente, o PSG — melhor equipe em desempenho — ficou apenas em quarto no ranking de gramados. A temporada passada também registrou a média mais alta da história do torneio (17,82) e, pela primeira vez, nenhum dos 18 times ficou abaixo de 16/20.
O modelo funciona? O exemplo do Metz
O torneio já provou eficácia na prática. O Metz ocupou apenas o 12º lugar no campeonato de gramados da Ligue 2 em 2013/14 e, no ano seguinte, promoveu alterações na superfície do Stade Saint-Symphorien.
— O campeonato dos gramados nos confirmou isso (que precisava mudar). O fato de ficarmos muito mal classificados e os novos critérios da Licença de Clubes pesaram. (…) O ranking nos permitiu ir além da posição do clube, porque é representativo e neutro — afirmou à época Jean-François Girard, então diretor do estádio, ao "L'Équipe".
O sucesso da medida fez até a Federação Francesa de Futebol (FFF) adotar a ideia nos torneios que organiza: a Arkema Première Ligue (Campeonato Feminino) e a Ligue 3.
O que isso significa para o Brasileirão
Se a CBF seguir o exemplo francês, o Brasileirão ganharia um ranking oficial de gramados, com avaliações padronizadas a cada rodada e possibilidade de punição financeira para quem descuidar da manutenção. Para a torcida, isso significaria menos reclamações sobre campos ruins e mais previsibilidade no estilo de jogo de cada time. Para os clubes, um estímulo concreto — e mensurável — a investir na qualidade das superfícies.
Onde estamos agora
O momento atual é de estudo: a CBF ainda analisa alternativas para reduzir as polêmicas com os campos do Brasileirão, sem medida oficial anunciada. O modelo francês, com mais de dez anos de funcionamento, recordes de média de qualidade e expansão para outras competições, aparece como uma referência concreta — mas qualquer implementação no Brasil depende de decisões da própria entidade.
Aviso sobre previsões e análises
As previsões e análises presentes neste conteúdo são apenas opiniões editoriais, elaboradas com base em dados públicos, e não garantem qualquer resultado. Este site não oferece, promove ou recomenda qualquer forma de apostas ou jogos de azar. A participação em apostas é proibida para menores de 18 anos. Jogue com responsabilidade.
Fonte: Trivela
Comentários (0)