Adam Silver aborda punição aos Clippers, expansão da NBA e por que a saída dos Blazers de Portland seria um 'fracasso'
Em coletiva após reuniões do board de governadores, Adam Silver afirmou que a punição aos Clippers por violação do teto salarial é definitiva, descartou recuperar escolhas de draft. Sobre o Portland Trail Blazers, disse que a saída da cidade seria um fracasso, cobrando modernização do Moda Center. Defendeu ainda o segundo apron e não espera mudanças antes de 2030.
Redação Prancheta Viva
Na terça-feira, o comissário da NBA, Adam Silver, falou com a imprensa após as reuniões do board de governadores em Nova York. O pauta foi pesada: a punição ao Los Angeles Clippers, o futuro do Portland Trail Blazers, a possível expansão da liga e a defesa do segundo apron. Ficou claro que Silver quer encerrar os temas polêmicos do verão antes da temporada começar.
Clíppers: "A punição é final"
O caso veio à tona no início deste mês, quando a NBA divulgou as conclusões de uma investigação de um ano sobre suposta burla do teto salarial envolvendo Kawhi Leonard. A liga identificou "um padrão de má conduta e múltiplas violações significativas" por parte do Clippers, descrito como reincidente nesse tipo de violação.
As sanções foram duras: o time perde cinco escolhas de primeira rodada, foi multado em US$ 30 milhões, e o dono Steve Ballmer e a presidente de operações de negócios Gillian Zucker foram suspensos por um ano, sem salário. Lawrence Frank, presidente de operações de basquete, pegou seis meses de suspensão sem pagamento, e Leonard — cuja troca para o Toronto Raptors foi novamente acordada na segunda-feira à noite, segundo relatos — terá de pagar US$ 700 mil à liga.
O clube reagiu mal no início: chamou a investigação de "fortemente tendenciosa" e prometeu contestar tudo "por todos os caminhos disponíveis". Mas no domingo Ballmer recuou e pediu desculpas "pela distração e desconforto", assumindo responsabilidade como principal dono. Isso alimentou a especulação de que o Clippers tentaria recuperar parte das escolhas, como o Minnesota Timberwolves conseguiu no caso Joe Smith, em 2000. Silver fechou a porta:
"O tipo de dano permanente à franquia não houve, mas sem dúvida é um revés para o time. A punição é final. Eu me reuni diretamente com o Kawhi recentemente e acho que todos concordam que é hora de seguir em frente. Acho que chegamos a um resultado justo para todos."
Trail Blazers: perder Portland seria um "fracasso"
Em março, a liga aprovou a venda do Portland Trail Blazers ao empresário de Dallas Tom Dundon — que também é dono do Carolina Hurricanes, da NHL — por US$ 4,25 bilhões. Desde então, o início da gestão Dundon virou alvo de críticas. O podcaster Bill Simmons o apelidou de "El Cheapo" por cortes de custos em todos os departamentos. O técnico interino Tiago Splitter, que classificou o time aos playoffs após a prisão de Chauncey Billups na primeira rodada da temporada passada, deixou o clube após, segundo relatos, receber uma proposta bem abaixo do mercado. O Blazers acabou contratando Micah Nori com contrato de apenas um ano — algo inédito para um técnico principal da NBA.
Somado às pendências da arena, isso gerou rumores sobre o futuro do time em Portland. Silver foi direto: "Eu veria como um fracasso não mantermos o time em Portland." A cidade abriga a franquia desde 1970, e o comissário destacou a torcida como uma das melhores da liga — mas cobrou modernização do Moda Center, que, segundo ele, está "na base da tabela" entre as arenas da NBA, afetando também o time de WNBA da cidade.
Silver disse que dedicou "boa parte do tempo" das reuniões desta semana conversando com Dundon e se colocou à disposição para mediar: "Espero que possamos baixar a temperatura nessas negociações."
Segundo apron: não conte com mudanças até 2030
O novo acordo coletivo introduziu o segundo apron, um teto acima do luxury tax que impõe restrições pesadas a quem ultrapassar a linha. O diretor-executivo do sindicato dos jogadores (NBPA), David Kelly, já pediu que a regra fosse "suavizada" ou eliminada, afirmando que ela está "decimando times" e forçando decisões que não são de basquete.
Silver, porém, rejeitou qualquer recuo: "Não tenho vergonha de dizer que o modelo é mais parecido com o da NFL, em que qualquer time, independente do tamanho do mercado, pode competir pelo título. Tivemos oito campeões diferentes nos últimos oito anos." Ou seja, não espere alterações antes do fim do acordo coletivo, em 2030.
Expansão: Seattle com vantagem sobre Las Vegas
O board aprovou em março explorar a expansão para Las Vegas e Seattle, e Silver espera uma decisão final até o fim do ano. Pelos comentários dele, Seattle leva vantagem: a Climate Pledge Arena já é considerada de última geração — "se começasse em cinco semanas, estaríamos prontos em Seattle" — enquanto em Las Vegas nem o terreno está definido. Entre as opções na cidade dos cassinos estão a reforma da T-Mobile Arena, casa do Vegas Golden Knights, ou a construção de um novo "palácio de entretenimento", com "vários grupos ativos" interessados.
Para o torcedor brasileiro, o cenário é animador: Seattle quer reviver a dor da perda do SuperSonics (1967–2008, antes de virar o Oklahoma City Thunder), e Las Vegas, que nunca teve franquia da NBA mas abriga o Summer League e recebeu o All-Star Game em 2007, segue na briga. O próximo capítulo deve vir antes do fim do ano.
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