Treinador de Pantoja comenta o futuro do brasileiro e revela os bastidores por trás do nocaute de Tsarukyan: 'Trabalhei com ele'
Parrumpa explica o plano que levou Arman a nocautear Ruffy, nega influência de N3on na cotovelada e comenta o futuro de Pantoja.

Antes do evento: a agenda de Marcos Parrumpa na ATT
No UFC 331, realizado na noite de sábado (19), Marcos Parrumpa, técnico da American Top Team (ATT), foi um dos nomes mais movimentados nos bastidores. O brasileiro, conhecido como Parrumpinha, esteve no córner de Arman Tsarukyan e de Alexandre Pantoja nas duas lutas principais da noite. Ainda em cima do octógono, o treinador também segue preparando Renato Moicano para o confronto com Tom Nolan.
A rotina de Parrumpa resume a pressão de trabalhar com dois atletas de elite ao mesmo tempo: definir estratégia, lidar com a torcida em volta do cage, absorver o resultado e, logo depois, voltar a pensar no próximo compromisso. Em entrevista exclusiva ao ESPN.com.br, na quarta-feira (23), ele voltou aos detalhes das duas principais disputas e explicou como enxerga o momento dos alunos.
Arman x Ruffy: da estratégia de queda à cotovelada que fechou o primeiro round
O combate entre Arman Tsarukyan e Mauricio Ruffy terminou com uma cotovelada certeira do armênio, que apagou o brasileiro nos segundos finais do primeiro round. Para a equipe de “Batman”, como passou a ser apelidado o peso leve da ATT, a boa defesa de quedas de Ruffy não foi surpresa.
A única derrota de Ruffy no Ultimate antes de sábado (19) tinha vindo por Benoit Saint Denis, que abusou das cinturadas para derrubar, controlar e finalizar o brasileiro. Mesmo assim, o plano de Arman foi economizar força e explosão nas tentativas de queda no primeiro round. A equipe trabalharia com 60-70% da intensidade no primeiro round, 70-80% no segundo e seguiria ajustando o ritmo, com mais foco no controle na grade.
A estratégia também levava em conta a melhora que Mauricio vinha apresentando depois de treinar com Alexander Volkanovski. Para Parrumpa, o desgaste do grappling não vem apenas da força, mas da adrenalina de quem tenta derrubar e não consegue.
“O que faz o grappler cansar é aquela adrenalina de não conseguir botar para baixo, de não conseguir nem entrar em queda. Isso aí vai deixando o cara nervoso, e a adrenalina consome o gás”, explicou. Na leitura do treinador, Arman poderia manter esse jogo por mais três ou quatro rounds sem sofrer com o mesmo nível de desgaste.
Depois de pressionar Maurício Ruffy contra a grade, Arman explodiu com duas cotoveladas letais e fechou a luta nos segundos finais do primeiro round. Ainda em cima do octógono, o armênio creditou Parrumpa como o “professor” do golpe. O treinador, porém, trata a cena como parte da narrativa da vitória e também do hype que se formou em torno do nocaute.
O debate pelo “pai” do golpe: Demetrious Johnson, N3on e a resposta de Parrumpa
Poucos minutos após o fim da luta, um vídeo de Arman treinando movimento similar com Demetrious Johnson, o eterno Mighty Mouse, voltou a viralizar nas redes sociais. Parte da torcida passou a atribuir a vitória ao ex-campeão peso mosca. Na coletiva, Arman também disse que N3on, streamer americano que esteve em seu córner, pediu a cotovelada no momento do nocaute.
Para Parrumpa, essa leitura é ingenuidade. “Se você acredita que foi o N3on que falou para o Arman dar a cotovelada, você é muito ingênuo, né?”, disse. “Todo mundo quer ser pai de filho bonito, né? Ninguém quer ser pai de filho feio.”
O técnico reconhece que Demetrious Johnson pode tentar pegar um pouco do crédito, mas reforça que o trabalho de preparação foi feito por ele e por Giorgio Petrosian: “somos os dois responsáveis por essa cotovelada”.
Sobre N3on, Parrumpa foi direto ao descrever a atuação do streamer no córner. Segundo o treinador, o americano foi extremamente educado, respeitoso e silencioso, do momento em que a equipe entrou na arena até a saída do cage. Na visão dele, Arman mencionou N3on para vender uma narrativa, enquanto o streamer ficou ali como figuração, com boa energia.
Pantoja x Van: a decisão unânime, a cabeçada e os números que separaram os juízes
Se a luta de Arman virou debate sobre quem merecia crédito pelo nocaute, a de Alexandre Pantoja terminou de forma mais dolorosa. O brasileiro fez um duelo aguerrido contra Joshua Van, mas não conseguiu recuperar o cinturão ao perder por decisão unânime após cinco rounds de guerra.
O combate ficou marcado por uma cabeçada de Van que abriu corte no rosto de Pantoja. A polêmica maior, porém, veio dos juízes. Dos três nomes que avaliaram a luta, apenas Derek Cleary deu dois rounds para Pantoja, com 48 a 47. Sal D’Amato viu apenas o quarto round para o brasileiro, em 49 a 46, enquanto Ron Mccarthy enxergou 5 a 0 para Van, com 50 a 45.
Parrumpa discorda da leitura de D’Amato e McCarthy, mas não nega que houve um round que pendeu para o americano. Antes do terceiro round, o treinador já acreditava que Pantoja poderia ter vencido os dois primeiros. Depois da decisão, sua avaliação foi de três rounds para Van e dois para Pantoja.
“Na minha opinião, foram três rounds para o Van e dois para o Pantoja. Acho que ninguém — tirando o Sal D’Amato e o Ron McCarthy — discorda de que o primeiro e o quarto foram do Alexandre”, afirmou. “Como também o terceiro e o quinto foram do Van. O que ficou um pouco parelho foi o segundo, porque o Joshua Van começou bem, teve o lance da cabeçada que desconcentrou bastante o Pantoja, mas nesse mesmo round o Alexandre acabou o round nas costas.”
Depois de sábado (19): descanso para Pantoja e a preparação para Tom Nolan
Apesar da derrota, Parrumpa se mostrou orgulhoso do desempenho de Pantoja. O treinador revelou que Dana White chamou o duelo de “a melhor luta pelo cinturão dos pesos-moscas da história do UFC”. Para o técnico, o brasileiro precisa agora descansar, já que vinha de uma sequência muito grande de lutas de cinco rounds e teve pouco tempo parado mesmo com sua lesão no braço.
O tema aposentadoria apareceu entre fãs, que especularam se Pantoja, enfrentando um oponente muito mais jovem, poderia encerrar a carreira. Parrumpa garante que é cedo demais para qualquer decisão.
“Eu não gosto de ter conversa séria depois da luta, porque tem muitas emoções. Uma coisa que ele de repente estava sentindo lá, hoje, quarta-feira (23), de repente ele está se sentindo diferente. Ele falou algumas coisas lá, e eu falei outras, e a gente conversou sobre vários assuntos, mas eu acho que tudo isso pode mudar”, explicou.
A palavra-chave, segundo o treinador, é descansar. Pantoja deve aproveitar a família, os filhos, se recompor, colocar o corpo de volta a 100% e relaxar antes de qualquer conversa sobre futuro. Só depois disso a equipe vai sentar, conversar e decidir os próximos passos.
Enquanto o futuro de Pantoja é tratado com calma, a agenda de Marcos Parrumpa já aponta para o próximo compromisso. O técnico segue preparando Renato Moicano para o confronto com Tom Nolan, mantendo a rotina da ATT em movimento entre os resultados do UFC 331 e os bastidores do próximo ciclo.
Redação Prancheta Viva
Aviso
As previsões e análises de eventos esportivos publicadas aqui são apenas opiniões editoriais, baseadas em dados públicos. Não garantimos nenhum resultado, placar ou desempenho futuro. Este site não oferece, não promove e não recomenda qualquer forma de apostas ou jogos de azar. Menores de idade estão proibidos de participar de qualquer atividade relacionada a apostas.
Comentários (0)