Entenda o estranho formato da WSL Players Cup que torna impossível conquistar a Quadrupla
A Players Cup, nova versão da Copa da Liga feminina inglesa, adota um formato inspirado no modelo suíço da Champions, com tabela única e seis jogos por time. Uma regra nova exclui os clubes que disputam a Champions europeia, tornando impossível conquistar a quádrupla coroa e abrindo caminho para um campeão inédito. Times como Manchester United e Tottenham enxergam chance real de título neste torneio reformulado.

Redação Prancheta Viva
Quem acompanha o futebol feminino inglês deve ter notado uma competição nova na tabela dos times da Women's Super League (WSL) e da WSL 2 nesta temporada: a Players Cup. Só que ela não é exatamente nova — e nem todos os clubes estão nela.
O que motivou a mudança
A Players Cup é a antiga Copa da Liga (League Cup) com nome novo, após anos de debate sobre seu formato e sua credibilidade competitiva. O problema central era estrutural: os clubes da WSL e da WSL 2 eram divididos em grupos regionais (norte e sul), seguidos de mata-mata e final em março — mas os times que disputavam a Liga dos Campeões Feminina da UEFA (UWCL) entravam direto nas quartas de final. Ou seja, apenas cinco equipes (seis, quando a Inglaterra tinha duas vagas na Europa) podiam avançar da fase de grupos.
O resultado era previsível: os clubes menores se desgastavam na fase inicial, e os gigantes entravam prontos na reta final. Só três clubes já levantaram a Copa da Liga: Chelsea, Arsenal e Manchester City.
Neste ano, porém, haverá um campeão inédito. Os três citados estão fora por conta da participação na UWCL — uma nova regra exclui da competição os times que jogam na Europa. Isso abre o caminho, mas também acabou com o sonho da quádrupla coroa para os clubes europeus. O Arsenal segue, por enquanto, como o único clube a conquistar a quádrupla, feito alcançado em 2006-07, quando venceu a Champions (então chamada UEFA Women's Cup) e todos os títulos nacionais daquela temporada.
Como funciona o novo formato
O sorteio aconteceu no mês passado, mas o formato confuso levantou quase tantas questões quantas respondeu.
A competição adota elementos do modelo suíço usado na UWCL: uma tabela única de liga, com os oito primeiros avançando ao mata-mata. A diferença é que os confrontos são definidos por divisão regional norte-sul, com o objetivo de reduzir viagens desgastantes no meio de semana. Cada time joga seis partidas entre setembro e dezembro — três em casa, três fora.
Há outro detalhe curioso: se houver empate no tempo normal, não há prorrogação. A decisão vai direto para os pênaltis, e o vencedor da disputa leva dois pontos, enquanto o perdedor fica com um.
Encerrados os seis jogos, os oito melhores avançam às quartas em janeiro: 1º contra 8º, 2º contra 7º, e assim por diante, com vantagem de mando para o melhor classificado. Daí em diante, é mata-mata tradicional.
A distribuição dos adversários também não é uniforme. O Everton, por exemplo, enfrentará dois times da WSL e quatro da WSL 2, enquanto o London City Lionesses pega três de cada divisão.
E as zebras têm chance mesmo?
Em tese, sim. A saída dos três grandes abree espaço real para os demais. E o cenário já vinha mudando: o Brighton chegou à final da FA Cup na temporada passada, o Tottenham disputou sua primeira final em 2024, e o Manchester United alcançou duas finais de FA Cup (vencendo uma) e foi à final da Copa da Liga pela primeira vez na última temporada, em sua estreia na Champions — embora sem passar à fase de liga.
O próprio campeão da última Copa da Liga, o Chelsea, também não entrou na fase de liga por estar na Europa. Já o Manchester City, sem competições europeias, venceu a FA Cup e chegou à semifinal da Copa da Liga.
Isso levanta uma dúvida: a Players Cup não viraria simplesmente o troféu do grande clube que ficou fora da Champions? Pela tabela de 2025-26, esse time seria o Manchester United. Mas a possível resposta dos dois técnicos envolvidos — Martin Ho, do Spurs, e Eva Olid, do United — é que a chance de conquistar um troféu mais cedo vale o esforço, e vários clubes estão mirando essa janela.
O novo formato da própria Champions também serve de referência: times fora da elite, como Manchester United e OH Leuven, mostraram que avançar é possível. Vale lembrar que a famosa tríplice coroa ainda é possível — mas só para um clube fora dos três historicamente dominantes, ou para um deles com o combo WSL, FA Cup e Champions.
O que muda na gestão dos elencos
A Copa da Liga sempre teve uma função além do troféu: rodar elenco, dar minutos a jovens, reintegrar jogadores que voltam de lesão e recuperar confiança em momentos ruins no campeonato.
Esse equilíbrio ficou difícil. Nos clubes menores, a queixa é falta de minutos competitivos; nos grandes, o problema é o oposto — calendário lotado, agora com ainda mais competições da FIFA, como a Champions Cup e o Mundial de Clubes.
Curiosamente, os três clubes excluídos não sentiam tanto esse benefício: como entravam direto no mata-mata, quase não rotacionavam, escalando times próximos aos usados na liga e na Europa. O novo formato pode ajudar nas duas pontas — dar minutos a quem joga pouco e aliviar a carga de quem joga demais.
A própria WSL destacou que as jogadoras consultadas avaliaram a mudança de forma positiva: segundo a entidade, elas veem a competição como valiosa, acreditam que a estrutura aumentará a competitividade e reconhecem que bem-estar e desenvolvimento são os motores principais.
Onde a balança vai pender — mais competitividade ou apenas um troféu a mais para o melhor time fora da Europa — só o tempo dirá. Mas a fase atual é de estreia: formato novo, seis jogos pela frente e, pela primeira vez, a garantia de um campeão inédito.
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Fonte: ESPN Soccer News
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