Início de ciclo intensifica o pessimismo em relação à Seleção
A Seleção Brasileira empatou com a Austrália graças a um gol de cabeça de Rayan nos acréscimos, evitando a segunda derrota da história entre as duas equipes. O jogo expôs problemas: quatro atacantes desconectados do meio-campo, Vini Jr. fora de fase, falha de Hugo Souza no gol australiano e um gramado precário. O empate reforça o pessimismo: Ancelotti ainda não corrigiu as falhas da Copa e o projeto para 2030 segue preocupante.
Redação Prancheta Viva
O gol salvador de Rayan no último minuto
Um gol de cabeça de Rayan aos 49 minutos do 2º tempo evitou a segunda derrota da história da seleção brasileira para a Austrália. O cenário não era animador: acordar antes das sete da manhã para ver o Brasil depois de uma Copa do Mundo decepcionante, e o que apareceu em campo ficou abaixo até das baixíssimas expectativas.
A única derrota anterior da Seleção para os australianos aconteceu há 25 anos, na disputa de terceiro lugar da Copa das Confederações 2001 — aquela foi a última partida de Emerson Leão no comando técnico. Com Carlo Ancelotti o contexto é bem diferente, mas a cobrança tende a crescer se o time não mudar de patamar. A primeira impressão após a eliminação pífia para a Noruega no Mundial foi a pior possível.
Quatro atacantes, meio-campo desconectado
Mais uma vez, a opção por quatro jogadores de origem ofensiva — Raphinha, Estevão, Vini Jr e Endrick — distanciou os setores quando o time atacava. Diante do bloco compacto dos Socceroos, faltaram jogadas de aproximação: sem espaço para passes nas costas da defesa ou conduções, o quarteto ficava projetado na última linha, esperando bola, enquanto o quarteto defensivo e Bruno Guimarães e Danilo circulavam a bola sem soluções regulares.
A dupla de volantes conectou os setores apenas em alguns momentos, se revezando: Bruno esteve mais perto da área no 1º tempo, Danilo assumiu o papel na 2ª etapa, sobretudo após a entrada de Douglas Luiz. Mas foi pouco. Preencher mais o meio-campo não parece prioridade de Ancelotti — e, com escassez de peças de primeira linha mundial nesse setor, o técnico precisará criar mecanismos para partidas em que não haverá espaço para transições rápidas.
Os melhores momentos brasileiros no Queensland Stadium vieram dos contragolpes, longe de um cenário constante. A desconexão apareceu também nas subidas de marcação: a Austrália saiu jogando várias vezes e encontrou zonas livres enormes para Danilo e Bruno Guimarães tentarem proteger. Contra um adversário mais criativo, o Brasil teria levado mais de um gol.
Gramado lastimável e Vini Jr. fora de fase
A irregularidade do gramado atrapalhou a definição das jogadas e provocou erros — e é inadmissível a seleção atravessar o mundo para atuar nessas condições. A CBF precisa cuidar melhor dos detalhes dos amistosos que marca.
Vinícius Jr., em fase ruim no Real Madrid, demorou a entrar no jogo: começou disperso, errando passes e dribles e gerando contragolpes. Melhorou com o tempo e encaixou dois bons passes em jogadas que poderiam virar gol, mas seguiu impreciso na finalização. Raphinha se esforçou, mas ainda está longe do jogador do Barcelona — e foi dele o escanteio que encontrou a cabeçada de Rayan.
Entre os que saíram do banco, além do autor do gol, Samuel Lino aumentou o volume do ataque pela esquerda.
Hugo Souza falha, Irankunda brilha
O gol australiano saiu de falta bem colocada, rápida e com efeito de Irankunda — que teve mérito, mas Hugo Souza pecou por não reagir mais rápido. O goleiro ainda hesitou em dois escanteios quase fatais no 1º tempo. O Brasil chegou a marcar com Estevão, após roubada de bola no campo de ataque, mas o gol foi anulado.
Onde o ciclo 2030 está agora
É cedo para tirar grandes conclusões da caminhada até a Copa de 2030, mas a sensação atual é amarga e preocupante: Ancelotti ainda não parece ter entendido por completo os motivos do fraco desempenho no Mundial, e a maioria dos jogadores segue muito distante do que pode render. O gol de Rayan salvou o placar, não o projeto.
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