O verão que transformou o futebol galês
Dez anos após a Euro 2016, a BBC Sport Wales resgatou depoimentos sobre a campanha histórica de Gales. Após 58 anos sem grandes torneios, o time de Chris Coleman e Gareth Bale venceu o grupo, eliminou a Irlanda do Norte e a Bélgica, com gol de Robson-Kanu, e caiu na semifinal para Portugal. O legado: classificações seguintes e uma nova geração apaixonada pela seleção.
Redação Prancheta Viva
A uma década da Euro 2016, o portal BBC Sport Wales conversou com figuras-chave daquela campanha para resgatar, em detalhes, a história por dentro do torneio que transformou o futebol galês. Mais do que nostalgia, o depoimento ajuda a entender por que aquela seleção se tornou referência para times pequenos em todo o mundo.
Origem: a fome de 58 anos
Para entender o peso da Euro 2016, é preciso voltar a 1958, último ano em que Gales havia disputado uma Copa do Mundo — até então, sua única grande competição internacional. Gerações inteiras de torcedores galeses nasceram e cresceram sem ver o time nacional em um torneio grande, apesar de elencos talentosos ao longo das décadas.
Sob o comando do técnico Chris Coleman, a vaga veio pelo caminho classificatório da Euro, com um grupo que tinha Gareth Bale como principal estrela, além de nomes consagrados da Premier League e da Championship. A classificação já foi, por si só, um marco histórico.
Passagem: a campanha na França
Sorteado para um grupo com Inglaterra, Eslováquia e Rússia, Gales superou as expectativas e avançou em primeiro lugar. Na fase eliminatória, o time derrubou a Irlanda do Norte nas oitavas de final e, nas quartas, protagonizou uma das noites mais memoráveis do torneio: a virada sobre a Bélgica, então uma das seleções mais fortes da Europa, com direito ao gol antológico de Hal Robson-Kanu, que deixou dois defensores no chão com um giro inesquecível antes de finalizar.
Na semifinal, a aventura terminou diante de Portugal, futuro campeão daquela edição, em partida disputada na França. O placar foi 2 a 0 para os portugueses, que depois venceram a final contra a anfitriã. Para Gales, porém, a eliminação não apagou nada: a torcida — eufórica, com seus hinos cantados em voz alta nas ruas — virou um dos símbolos daquela Euro, ao lado do futebol competitivo e da atmosfera familiar que Coleman construiu no vestiário.
O que mudou desde então
A reportagem da BBC Sport Wales, produzida com relatos de quem viveu aquele verão por dentro, mostra que 2016 criou um legado estrutural: Gales voltou a se classificar para Eurocopas e Copas do Mundo nos anos seguintes, algo impensável antes, e o interesse pelo time nacional cresceu entre uma nova geração de garotos que cresceram vendo Bale, Aaron Ramsey e companhia brilharem na França.
Para o torcedor brasileiro, que acompanhou de perto aquela semifinal pelo lado português, a história de Gales segue como um estudo de caso: o que um planejamento sério, um técnico coerente e uma torcida unida conseguem fazer por um país de futebol modesto em número de profissionais, mas gigante em identidade.
Dez anos depois, a Euro 2016 segue sendo o divisor de águas — o momento em que o futebol galês deixou de contar histórias de 1958 e passou a escrever as suas.
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Fonte: BBC Sport Football
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