Rivalidades políticas, acusações cruzadas e manifestações marcaram os confrontos entre Irlanda e Israel na Liga das Nações
Irlanda e Israel se enfrentam duas vezes na Liga B da Liga das Nações da UEFA em um clima tenso. O movimento 'Stop The Game', apoiado por mais de 160 atletas irlandeses, pede boicote aos jogos, mas a federação irlandesa decidiu manter o time em campo, temendo retaliações da UEFA, como expulsão da competição e complicações para a Euro 2028. A federação israelense respondeu com acusações de hipocrisia. As partidas serão na Hungria e na Sérvia, com portões fechados.
Por Redação Prancheta Viva
Irlanda e Israel se enfrentam duas vezes nesta data Fifa, valendo pelo Grupo 3 da Liga B da Liga das Nações da UEFA — a segunda divisão do torneio. Mas o clima fora de campo está pesado: protestos, troca de acusações entre federações e uma seleção irlandesa que decidiu jogar mesmo sem se sentir confortável com o confronto.
As datas dos dois duelos
O primeiro jogo será Israel x Irlanda, neste domingo (27), às 15h45 (horário de Brasília), no Nagyerdei Stadion, em Debrecen, na Hungria. A volta acontece no próximo domingo (4), às 15h45, com a Irlanda como mandante — mas não em Dublin: a partida será na TSC Arena, em Backa Topola, na Sérvia, e com portões fechados.
Por que a Irlanda vai jogar mesmo assim
O movimento "Stop The Game", formado por manifestantes pró-Palestina na Irlanda, pede o boicote da seleção às partidas. Em cartas e protestos com cartazes como "Chega de lavagem de imagem de Israel pelo esporte" e "Não apoiem o assassinato de crianças", o grupo ganhou apoio de mais de 160 atletas irlandeses — entre eles atletas olímpicos, ex-jogadores da seleção de futebol, ex-jogadores de rúgbi e boxeadores.
Apesar da pressão da torcida, a federação optou por manter o time em campo, temendo retaliações da UEFA. O técnico Heimir Hallgrimsson foi direto em coletiva:
"None de nós se sente confortável jogando, mas uma vez que decidimos jogar, permanecemos unidos e jogamos como um só."
O islandês emendou: "Não estamos jogando com um genocídio, estamos jogando contra um genocídio. Estamos jogando contra Israel, não estamos jogando com Israel." Ele ainda classificou o contexto atual como um "genocídio" contra o povo palestino.
O que a UEFA poderia fazer em caso de boicote
Segundo o próprio Hallgrimsson, não comparecer era impensável: "Seria a primeira vez, então provavelmente nos dariam um exemplo. Acho que seríamos expulsos da competição." Os regulamentos da UEFA preveem que a ausência em jogos da Liga das Nações pode gerar medidas disciplinares adicionais e até a perda de pagamentos, dependendo da gravidade.
O treinador ainda lembrou um risco extra: a Irlanda co-organizará a Euro 2028 — e um boicote poderia complicar a relação com a entidade. "Se cairmos no mesmo sorteio que Israel?", questionou.
O diretor executivo da Federação Irlandesa, David Courell, revelou que chegou a pedir à UEFA que os dois países não se enfrentassem em competições da entidade, mas o pedido foi negado. O critério da UEFA para separar equipes leva em conta riscos estruturais de segurança entre países em conflito — e, segundo Courell, Irlanda e Israel nunca tiveram conflito direto.
Por isso a solução foi jogar longe dos torcedores: o jogo de 4 de outubro, originalmente previsto para o Estádio Aviva, em Dublin, foi transferido em junho para a Sérvia, e nenhuma entrada será vendida a irlandeses na partida em Debrecen.
A resposta de Israel
A Federação Israelense de Futebol rebateu as declarações do técnico irlandês com acusações de "hipocrisia e estupidez". Em suas redes sociais, a entidade escreveu: "Não estamos jogando contra a ignorância, a hipocrisia e a estupidez, estamos jogando contra o técnico que as personifica."
O governo israelense nega as acusações de genocídio desde a retaliação aos ataques de 7 de outubro de 2023, quando cerca de 1,2 mil pessoas foram mortas pelo Hamas e 250 foram feitas reféns. Segundo dados da ONU, mais de 70 mil palestinos morreram na guerra em Gaza desde então.
Onde a questão está agora
Com os dois jogos mantidos, a fase de negociação terminou e o capítulo esportivo começa: resta saber como a seleção irlandesa — juridicamente obrigada a jogar, mas dividida internamente — vai se comportar dentro de campo em Debrecen e, depois, diante de um estádio vazio na Sérvia.
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