Alcaraz apoia a eliminação das partidas noturnas tardias nos torneios de Grand Slam
Carlos Alcaraz criticou as partidas noturnas tardias nos Grand Slams após ser eliminado às 3h30 da madrugada nas quartas do US Open, na partida mais tardia da história do torneio. Ele argumenta que jogos nesse horário prejudicam a recuperação física e sugerem mudanças, como o formato de melhor de três sets ou sets de quatro games. Andre Agassi discorda e defende os cinco sets como essência do esporte. Wimbledon é o único Major com limite de horário (23h).
Por Redação Prancheta Viva
A gota d'água: madrugada no US Open
Carlos Alcaraz tem um pedido claro para os organizadores de Grand Slam: chega de partidas que se arrastam até de madrugada. A cobrança vem semanas depois de uma noite que o espanhol dificilmente esquece — a eliminação nas quartas de final do US Open para o americano Ben Shelton.
Aquele duelo, vencido por Shelton em cinco sets, começou na noite de uma terça-feira e só terminou às 3h30 do horário local, após 4 horas e 28 minutos de bola em jogo. Foi a partida que terminou mais tarde em toda a história do torneio nova-iorquino.
O que Alcaraz disse em Londres
Na véspera da Laver Cup, o atual número três do mundo abriu o jogo em entrevista coletiva: segundo ele, quem encerra uma partida às 3h30 só sai da quadra às 4h30 e volta para o hotel de madrugada, sem deitar antes das 6h30 ou 7h da manhã.
O ponto central do argumento de Alcaraz é a recuperação: quem joga de madrugada chega em desvantagem física no compromisso seguinte, e é o adversário quem leva vantagem. "É demais. Vão ter que fazer alguma coisa", disse o vencedor de sete Grand Slams, que não se limitou aos casos extremos — para ele, encerrar uma partida à meia-noite já é tarde demais.
O cenário em cada Grand Slam
O problema não é exclusividade de Nova York. Wimbledon é a exceção entre os quatro Majors: por lá, os jogos terminam às 23h no horário local. US Open, Roland Garros e Aberto da Austrália não têm horário limite para interromper partidas.
Na prática, isso já rendeu cenas parecidas com a de Alcaraz: em 2024, a vitória de Novak Djokovic sobre Lorenzo Musetti na terceira rodada de Roland Garros terminou às 3h07 da madrugada em Paris, e em Nova York e Melbourne os jogos frequentemente se estendem pela madrugada.
Soluções em debate
Duas ideias circulam no circuito:
- Adotar nos Grand Slams o formato de melhor de três sets usado nos demais torneios da ATP;
- Reduzir de seis para quatro o número de games necessários para fechar um set — proposta que o próprio Djokovic defendeu em agosto.
Agassi contraria: "um esporte de gladiadores"
Nem toda lenda concorda. Andre Agassi, campeão de oito Grand Slams e capitão da equipe do Resto do Mundo na Laver Cup, defendeu que o formato de cinco sets permaneça intacto.
"Tenho certeza absoluta de que devemos manter este formato", afirmou o americano, admitindo que o desfecho tardio é "uma pena" e que ele mesmo já viveu essa situação muitas vezes. Para Agassi, vencer um Grand Slam tem valor justamente por exigir que o jogador leve suas capacidades ao limite — "continua sendo um esporte de gladiadores", resumiu, concluindo que é preciso haver distinção entre os Majors e o restante do calendário.
Onde a discussão está agora
O debate fica aberto: de um lado, os números do atual número três do mundo e o precedente histórico do US Open com Shelton às 3h30; do outro, a resistência de campeões como Agassi à mudança do formato. Com Wimbledon mantendo seu limite de 23h enquanto os outros três Majors operam sem horário de corte, a pressão por uma decisão dos organizadores — seja sobre horários, seja sobre o formato de sets — tende a crescer nos próximos torneios.
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