Três grandes preocupações sobre o retorno de Kawhi Leonard ao Raptors, incluindo sua adaptação com Scottie Barnes
Kawhi Leonard retornou ao Toronto Raptors e assinou extensão de dois anos, US$ 115 milhões, até 2028-29, após a saída de Brandon Ingram. O artigo analisa três dúvidas: a saúde do astro, a sobreposição de estilos com Scottie Barnes no midrange e o futuro de RJ Barrett, cujo contrato expira. Com elenco forte e defesa top-5, o Raptors precisa ajustar a distribuição de arremessos e gerenciar os minutos para competir no Leste.
Redação Prancheta Viva
A origem: a troca que trouxe Kawhi de volta
Kawhi Leonard foi oficialmente anunciado como jogador do Toronto Raptors na semana passada, coroando uma operação que mudou o status da franquia canadense na Conferência Leste. A troca enviou Brandon Ingram para fora e trouxe de volta o astro que viveu o auge da carreira individual justamente em Toronto.
Mas a transferência carregava uma sombra: o escândalo de burla ao teto salarial (cap circumvention) que cercou Leonard recentemente. A renovação anunciada agora ajuda a colocar esse capítulo para trás.
O acordo: dois anos e US$ 115 milhões até 2028-29
Na terça-feira, segundo a ESPN, Leonard e o Raptors fecharam uma extensão de contrato de dois anos no valor de US$ 115 milhões, válida até a temporada 2028-29 — o último ano é opção do jogador. Antes disso, ele cumprirá o contrato atual nesta temporada, com salário de US$ 50 milhões, e o novo acordo começa a valer em 2027.
Para o Raptors, o movimento era visto como necessário para se firmar num Leste de repente lotado de candidatos. E os números do time justificam a confiança:
- 46 vitórias na última temporada regular;
- Eliminação apenas no jogo 7 contra o Cleveland Cavaliers, na primeira rodada dos playoffs;
- Defesa top-5 da liga, com média recorde de 22 bolas roubadas por jogo (turnovers forçados);
- Ataque de transição com 28,6 pontos por jogo — só Miami Heat e Chicago Bulls foram melhores nesse recorte.
O encaixe: Barnes como Pippen e Ingram fora do modelo
A lógica da operação é clara. Brandon Ingram até cumpriu seu papel — média de 21,5 pontos por jogo e vaga no All-Star —, mas seu estilo metódico colidía com um time que quer jogar rápido. Segundo o Cleaning the Glass, o Raptors era nove pontos pior por 100 posses com Ingram em quadra, e ele foi exposto nos playoffs.
Com Leonard como opção alfa no meio da quadra, Scottie Barnes — estrela em ascensão — pode ocupar naturalmente o papel de "Pippen versátil", formando uma dupla de superstar + segundo nome de nível All-NBA.
As três dúvidas que ficam
1. A saúde de Leonard. O lado bom: na última temporada com o Los Angeles Clippers, ele fez a campanha regular mais saudável da carreira — quase 28-6-4 com aproveitamentos próximos de 50-40-90 em 65 jogos, e jogou ao menos 65 partidas em duas das últimas três temporadas. O lado ruim: após 68 jogos em 2023-24, rompeu o LCA nos playoffs. No total, atuou em menos de 60% dos jogos de temporada regular pelos Clippers, perdeu 15 de 50 possíveis jogos de playoffs e somou 119 jogos fora em duas temporadas (não consecutivas) por problemas no joelho.
2. A sobreposição com Barnes. Na última temporada, Barnes tentou quase 8 arremessos por jogo entre 5 e 19 pés; Leonard, pouco mais de 8 na mesma faixa. 31% dos arremessos de Barnes vieram do midrange curto (4-14 pés), contra 32% de Leonard. O técnico Darko Rajakovic provavelmente vai escalonar os minutos dos dois, e Leonard pode ampliar o volume de três pontos (marcou carreira com 6,8 tentativas por jogo) — algo bem-vindo num time que terminou no bottom-5 em tentativas e cestas de três.
3. Onde entra RJ Barrett. Barrett é um pontuador constante de 20 pontos e bateu percentual true-shooting de 58,5% (recorde da carreira). Mas ele entra no último ano de contrato, com vencimento de US$ 29,6 milhões nesta temporada, e tem aproveitamento de três pontos de 34% e 35% nos dois últimos anos. O Raptors já tem quase US$ 330 milhões comprometidos com Leonard, Barnes, Jakob Poeltl e Immanuel Quickley até 2029, e Jamal Shead também vira agente livre ao fim da temporada. A pergunta no ar: o time tentará trocar Barrett antes do prazo de fevereiro para não perdê-lo de graça no verão?
Onde estamos agora
O acordo está fechado e assinado, mas a fase de ajustes está apenas começando. O Raptors tem elenco, profundidade e um treinador que precisará resolver a matemática dos arremessos entre Barnes, Leonard e Barrett — ao mesmo tempo em que administra o histórico de lesões de sua nova estrela. A resposta sobre se essa dupla transforma o time em candidato real no Leste só virá nos primeiros meses da temporada, e o futuro de Barrett pode ser o primeiro domino a cair.
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