Cinco perguntas que não se calam nos dias de mídia da NBA: o que Kawhi tem a dizer? Como LeBron vai se encaixar na Filadélfia?
Cinco questões dos media days da NBA: impasse de Jalen Duren nos Pistons, caso Kawhi e os Raptors, e encaixe de LeBron na Filadélfia.
A temporada regular começa em 20 de outubro, e os campos de treinamento já estão autorizados a abrir as portas. Entre media days, negociações travadas e investigações que ainda ecoam, a liga chega ao período de preparação com pendências que podem definir o futuro de franquias inteiras. Abaixo, o que está em jogo em cada uma delas.
Detroit Pistons e Jalen Duren: o impasse que virou novela
O pivô de 23 anos vive o melhor momento da carreira e, ao mesmo tempo, a negociação mais delicada dela. Duren foi o primeiro jogador da história dos Pistons a registrar média de pelo menos 15 pontos e 10 rebotes com 60% de aproveitamento nos arremessos. O desempenho lhe rendeu a primeira convocação para o All-Star Game e a primeira menção em times All-NBA.
A temporada regular, porém, não se repetiu nos playoffs. Duren caiu para 10,1 pontos por jogo no pós-temporada, queda brusca frente aos 19,5 da fase regular. Na série de primeira rodada contra o Orlando Magic, foi dominado por Wendell Carter Jr.; na segunda rodada, contra o Cleveland Cavaliers, ficou praticamente invisível. Detroit foi eliminado, e a negociação contratual entrou em compasso de espera.
Segundo múltiplos relatos, os Pistons subiram a oferta para US$ 200 milhões em cinco anos. Por ter sido eleito para o time All-NBA, Duren tem elegibilidade técnica para receber até US$ 287 milhões. Mesmo antes da queda nos playoffs, ninguém esperava que ele alcançasse esse teto — mas a diferença entre o valor máximo teórico e a proposta real alimenta a insatisfação. O The Athletic também informou que Detroit anexou à oferta mais recente uma cláusula exigindo que Duren controle o peso regularmente.
Há especulação crescente de que ele possa assinar a qualifying offer de US$ 9,6 milhões e se tornar agente livre no verão seguinte. O risco seria enorme: no máximo, um novo time poderia lhe oferecer quatro anos e cerca de US$ 189 milhões. Somado à qualifying offer, o total ficaria ligeiramente abaixo dos US$ 200 milhões que os Pistons colocam na mesa agora — com muito mais risco embutido.
Sacramento Kings e Milwaukee Bucks são apontados como interessados. Nenhum dos dois, porém, está posicionado para vencer agora. Duren tem até 1º de outubro para assinar a qualifying offer, embora o prazo possa ser estendido por acordo entre as partes. Mesmo que um vínculo longo e milionário saia do papel, a forma como a negociação foi conduzida deixa dúvidas sobre ressentimentos residuais.
O The Athletic destacou que Duren estaria "insatisfeito" com as conversas, citando os contratos recentes de Amen e Ausar Thompson. Ausar, companheiro de Duren em Detroit e finalista do prêmio de Defensor do Ano, recebeu US$ 155 milhões em cinco anos. Amen assinou com o Houston Rockets por US$ 208 milhões em cinco anos. Nenhum dos dois foi All-Star ou All-NBA — algo que, segundo relatos, incomoda Duren, cuja oferta atual dos Pistons é US$ 8 milhões menor do que a de Amen.
Kawhi Leonard, o Raptors e as explicações pendentes
A investigação sobre burla às regras do teto salarial resultou na maior punição da história da NBA aplicada a uma franquia. Só depois disso a troca de Kawhi Leonard para o Toronto Raptors foi concluída. Leonard assinou extensão de dois anos com opção de jogador, avaliada em US$ 115 milhões, o que pode mantê-lo no Canadá até os 37 anos.
Para viabilizar o retorno, Leonard abriu mão de US$ 7,45 milhões em trade kicker e aceitou US$ 11 milhões menos do que o valor máximo da extensão — gesto apresentado como forma de dar flexibilidade ao Raptors. O contexto: RJ Barrett está no último ano do contrato, e o vínculo de Jakob Poeltl não ajuda, deixando a franquia perto de encostar no primeiro apron caso Barrett permaneça com valor semelhante.
Leonard escapou do castigo da liga sem suspensão e sem contrato anulado. Foi condenado a pagar US$ 700 mil em restituição pelos contratos de endosso que nunca cumpriu, negócios que, segundo relatos, lhe renderam mais de US$ 28 milhões só na parte ligada à Aspiration. Em nota, disse assumir total responsabilidade — e atribuiu a situação a "falhas de julgamento de pessoas do meu círculo íntimo". As mesmas pessoas que ele contratou e empoderou, vale lembrar.
Leonard afirmou que entrou nos acordos de endosso "totalmente comprometido em cumprir minhas obrigações". Se era o caso, por que não cumpriu? A apuração de Pablo Torre não encontrou nenhum registro de trabalho em favor da Aspiration. Na mesma nota, Leonard disse não ter "conhecimento de qualquer intenção de burlar o teto salarial". A pergunta que fica: por que ele imaginava receber milhões por um trabalho que nunca realizou?
A expectativa é que Leonard tente evitar novas perguntas sobre Los Angeles dizendo que quer virar a página. As respostas, no entanto, continuam devidas.
O que resta para os Clippers depois da punição
Leonard saiu relativamente ileso. Os Clippers, não. A franquia perdeu cinco escolhas de primeira rodada e foi multada em US$ 30 milhões pelo que a liga classificou como esquema de burla ao teto salarial. O dono Steve Ballmer foi suspenso de atividades do time e da liga por um ano. A presidente de operações comerciais, Gillian Zucker, foi suspensa sem salário por um ano. O presidente de operações de basquete, Lawrence Frank, foi suspenso sem salário por seis meses.
Ballmer pediu desculpas a "torcedores, funcionários e meus colegas donos de times da NBA pela distração e pelo sofrimento que este caso causou". Disse aceitar a responsabilidade como proprietário principal e cumprir as penalidades.
Mas a punição é apenas o ponto de partida. Mesmo antes da multa, da perda de escolhas e do desmonte da cúpula, a organização já não tinha rumo claro. Apesar de Leonard ter feito uma das melhores temporadas da carreira, os Clippers não passaram do play-in. Depois de negociar Leonard, James Harden e Ivica Zubac, o melhor jogador do elenco é... Darius Garland? Brandon Ingram? Keaton Wagler? Nenhuma resposta empolga, especialmente no Oeste, onde Thunder e Spurs são jovens, cheios de talento e devem brigar por finais de conferência pelos próximos cinco anos.
No lado das operações de basquete, o gerente-geral Trent Redden deve ocupar o vácuo decisório enquanto Frank cumpre suspensão. A organização nomeou John Gibson como governador e CEO interino. Gibson é advogado baseado em Los Angeles e sócio de longa data dos Clippers. Se isso não anima a torcida, talvez o vídeo institucional em tom monocórdico não ajude.
LeBron James e o encaixe nos novos 76ers
LeBron já foi questionado sobre esse tipo de adaptação na temporada passada, quando precisou dividir protagonismo com Luka Dončić e Austin Reaves nos Lakers. Na época, respondeu que não entendia por que aquilo era sequer uma pergunta: "Consigo me encaixar com qualquer um."
Ele provou o ponto. Ajustou-se ao que os Lakers precisavam, ajudou a equipe a emplacar 15 vitórias consecutivas no fim da temporada e, quando Dončić e Reaves se machucaram, assumiu o time e o levou a uma vitória surpreendente sobre o Houston Rockets na primeira rodada dos playoffs.
Agora, ao assinar com o Philadelphia 76ers, LeBron sabe que encara mais uma situação nova. Como nos Lakers, não será a primeira opção na maioria das noites — talvez nem a segunda ou terceira. Se os Sixers estiverem saudáveis, o quinteto titular com James, Tyrese Maxey, VJ Edgecombe, Jaylen Brown e Joel Embiid é tão talentoso, no papel, quanto qualquer outro da liga. A questão é o papel que ele exercerá e como o técnico Nick Nurse pretende usá-lo.
O novo presidente de operações de basquete, Mike Gansey, sugeriu que James pode atuar como point forward para iniciar o ataque, liberando Maxey para jogar sem a bola e explorar velocidade e capacidade de pontuar. A ideia é interessante: James é um dos melhores passadores de sua geração e terminou a temporada passada em segundo em pontos de contra-ataque, atrás justamente de Maxey.
Quanto Nurse adotará essa abordagem é outra história. James entra em sua 24ª temporada — recorde na NBA — e completa 42 anos em dezembro. Quanto os Sixers podem depender dele para conduzir o jogo? Quantos minutos e partidas ainda é possível extrair de uma carreira notável? E como sua presença altera a produção de Maxey e Brown, ambos vindos de temporadas de carreira, e de Embiid, ex-MVP?
LeBron está certo: consegue jogar com qualquer um. Como jogará nos Sixers — e o que lhe será pedido, ou não — definirá em boa medida se a franquia avança além da segunda rodada pela primeira vez desde que Allen Iverson a levou às Finais há mais de um quarto de século.
Stephen Curry e o limbo dos Warriors
Depois de ficar fora da disputa por LeBron, o Golden State Warriors segue sem direção clara. Surgiram especulações sobre uma possível saída de Curry — que completa 39 anos em março — para terminar a carreira em um time mais pronto para vencer agora. Ele encerrou o assunto quase imediatamente, reafirmando em entrevista à CNBC que "sempre disse que quero ser um lifer do Golden State". Esta semana, repetiu aos repórteres: "Não vou a lugar nenhum."
O compromisso não vem sem expectativas. Curry tem direito a uma extensão de dois anos por US$ 137 milhões, o que o manteria em Golden State até os 41 anos. Ainda não assinou. Disse à ESPN que quer dar à franquia flexibilidade para o futuro "porque não tivemos isso nos últimos anos".
Situação atual: a liga entra na última semana antes da abertura dos campos de treinamento com duas negociações contratuais em aberto — Duren em Detroit e Curry em Golden State —, uma punição histórica ainda repercutindo em Los Angeles e uma adaptação de alto risco em Philadelphia. O prazo de 1º de outubro para a qualifying offer de Duren é o primeiro marco concreto no calendário.
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